Lições a tirar de uma greve

por PN | 2019.04.18 - 12:35

Há alguns ensinamentos a tirar desta greve dos camionistas que transportam matérias perigosas…

Sem deixar de partir do pressuposto de que a greve é um direito inalienável de todos os trabalhadores; sem deixar de ter presente – e infelizmente muitos não o têm – que nenhum trabalhador faz greve se tiver os seus direitos acautelados…

Há que reflectir neste ponto:

Um país e um povo não pode ficar refém de um “braço de ferro” entre patronato e sindicato. Nunca. Os milhões de euros de prejuízo causado e ainda por apurar a todos quantos nada têm a ver com esta justa luta; os constrangimentos provocados aos milhões de utentes da estrada, já saqueados por impostos sobre os automóveis, sobre os combustíveis, sobre as estradas em que circulam sob forma de portagens, etc., tornam-nos cada vez mais aversivos a esta sucessiva insensatez capaz de gerar o caos num país desprevenido e desprotegido. Ademais, “pastiches” do que se passa lá fora, estilo coletes amarelos, ao terem diferentes origens e causas geram efeitos muito diferenciados.

O governo – seja ele qual for – nunca pode ficar na linha de fogo de uma guerra laboral. Assim, deve de forma calculada, para a profiláctica garantia do serviço devido e obrigatório para com os cidadãos, formar de imediato, na GNR ou FA, um número efectivo e adequado de militares capacitados para, em situação de crise desta natureza, poder dar resposta a fim de evitar uma paralisação nacional.

Fazer com os aeroportos da Portela e de Faro o mesmo feito com o aeroporto Sá Carneiro. Ou seja, ter oleodutos directos das refinarias ao terminal de abastecimento.

Finalmente, ter a comandar uma associação como a ANTRAM um poderoso proprietário com mais de um milhar de auto tanques para transporte das matérias perigosas, a fazer “braço de ferro” com todos os portugueses para não ceder a justas reivindicações salariais, é um claro absurdo. O presidente da ANTRAM com a sua intransigência causou milhões de euros de perdas ao país, em todos os sectores da vida nacional. Eventualmente, parte desses prejuízos deveriam ser cobertos e ressarcidos com uma coima adequada e materialmente imposta na e pela redução concreta desses transportes, nas empresas que a este caos nos levaram.

A unilateralidade, a inflexibilidade e a “cegueira” nunca foram boas companhias…

Provavelmente, o que acabo de escrever até pode nem ser o “politicamente correcto”. Todavia, há momentos nos quais essa figura só me merece um bom manguito à Bordallo. E cada vez mais…

Paulo Neto