LETRAS @CORdadas – Noam Chomsky

por Miguel Alves | 2017.01.28 - 12:19

 

 

Noam Chomsky, nascido em Dezembro de 1928

 

Prémio Kyoto, 1988;

Medalha Benjamim Franklin, 1996;

Prémio Sidney da Paz, 2011.

Detentor de quase quarenta prémios e títulos honoríficos.

Membro honorífico de mais de cinquenta Universidades em todo o mundo.

 

 

Avram Noam Chomsky nasceu na cidade de Filadelfia, nos Estados Unidos da América em Dezembro de 1928.

Professor Emérito do MIT em linguística analítica, é considerado o pai da linguística moderna e figura de renome no campo da filosofia analítica. Formado na Universidade da Pensilvânia, fez estudos avançados em Princeton, doutorando-se em Harvard (“Estruturas Sintáticas”, 1957), é um dos fundadores da Gramática Generativa com a chamada Hierarquia de Chomsky na qual analisa as propriedades matemáticas das linguagens formais. Esta Hierarquia é, geralmente, utilizada no ensino das ciências da computação. Também para a medicina esta Hierarquia teve importância: Niels K. Jerne, Nobel da Medicina e Fisiologia em 1984, usou esta Hierarquia para explicar o sistema imunológico humano, equacionando as suas componentes com as carateristicas da estrutura das proteínas (“A Gramática Generativa e o Sistema Imunológico”).

Ao fazer a abordagem matemática dos fenómenos da linguagem, leva a cabo uma critica severa ao behaviorismo na psicologia, por este considerar a linguagem como uma propriedade inata do cérebro e da mente humana. Ao fazê-lo esteve na origem da psicologia cognitiva, hoje uma corrente importante na psicologia clínica. É considerado por isso, também um cientista cognitivo.

A par deste enorme prestígio, NC é também reputado como um dos mais conhecidos e lidos ativistas políticos dos USA e até mundiais, pela sua visão muito crítica da política americana e das suas elites políticas e económicas desde o final da II guerra mundial. Foi um oponente feroz da guerra do Vietname, a primeira grande derrota militar dos USA pós II guerra mundial.

Quero hoje @CORdar uma das obras mais recentes de NC; “Quem Governa o Mundo”, Editorial Presença, 2016. É um livro sobre a política americana no mundo. Antes de escrevermos sobre ela, entendo ser útil citar o que sobre ela foi dito e vem na capa e contracapa da obra: “NC O maior intelectual da esfera pública”, Observer. “Chomsky é um fenómeno mundial. É talvez a voz mais lida do mundo sobre política externa americana”, The New York Times Book Review. “Com uma lógica inabalável, Chomsky urge-nos a perceber o que os nossos lideres nos dizem – e a deduzir o que não nos dizem. Concorde-se ou não com ele, perdemos se não o ouvimos”, Business Week. “Quem quer conhecer melhor o nosso mundo tem que ler Noam Chomsky”, New Statesman. “Impetuoso, claro, arrebatador e meticulosamente bem documentado, este livro proporciona um entendimento indispensável aos temas centrais do nosso tempo”, Editorial Presença.

Este livro e os seus temas são hoje de uma enorme atualidade, face ás incertezas que já pairavam no horizonte da humanidade e que NC nos documenta com minúcia, crueza e enorme lucidez, e agora se avolumam face à nova administração americana (armas nucleares… “se não as utilizamos, para que as fabricamos?” Donald Trump. Os temas desta obra poderão ser agregados nas seguintes áreas:

Em primeiro lugar o papel dos intelectuais na esfera pública. Depois:

-A estrutura base da política externa americana, que nenhuma administração pode  renegar.

– A força, a violência e a tortura como ferramentas instrumentais dessa política.

– A segurança e de quem.

– O terrorismo.

– Apogeu e declínio dos USA? Que sentido e validade têm estes conceitos?

– Diversas situações e acontecimentos históricos relevantes e zonas críticas para a tranquilidade mundial: a crise de Cuba, o Médio Oriente, a América Central e do Sul, o Irão, a Ucrânia e a Rússia.

– Os grandes riscos da humanidade: o nuclear e o ambiental.

É um livro que se devora com avidez, por nos facultar um outro olhar dos acontecimentos e da história e da forma com que nos são vendidos pelos media mundiais. E não nos situamos no domínio da mera opinião de alguém que dispõe de uma audiência mundial. NC remete-nos sempre para fontes oficiais ao mais alto nível que passam por arquivos pessoais de presidentes americanos, do Conselho de Segurança Nacional (NSC), do Departamento de Estado, do Comando Estratégico (STRATCOM), do Comando Aéreo Estratégico (SAC) e muitos outros.

Vamos @CORdar a curiosidades dos leitores passando muito ao de leve sobre os agregados que construi que considero mais cruciais, esclarecedores e atuais em termos da cidadania global, sem deixar de referir que todo o livro é um manancial de informação muito pouco conhecida e divulgada e de um enorme interesse histórico.  São eles: A estrutura base da política externa americana e Os grandes riscos da humanidade: o nuclear e o ambiental.

Sobre o papel dos intelectuais na esfera pública, saliento apenas a conclusão, irónica mas cheia de significado, com que NC encerra este tema: “…os intelectuais são tipicamente privilegiados; o privilégio ocasiona a oportunidade, e a oportunidade confere responsabilidade. Depois, cabe a cada individuo fazer as suas escolhas”. Será difícil dizer melhor.

A estrutura base da política externa americana

Tem como base a chamada “DOUTRINA MONROE”, datada de 1823, com a qual os USA declararam a intenção expressa de dominar o mundo a partir do domínio do continente americano, na altura para fazer face ao pretendido colonialismo da Grã-Bretanha e da Europa nesse continente.

No final da II guerra mundial, os USA possuíam metade da riqueza mundial e uma estabilidade social e políticas únicas (hoje rondará os 25%). Por isso, Roosevelt estabeleceu como desígnio americano a sua hegemonia no mundo durante, pelo menos, um século. Com a próxima, ou já atual, autonomia energética dos USA salientada por Obama no discurso  do Estado da União de 2012, este desígnio mantém-se atual e para prolongar. George Kennan foi o autor do documento oficial que definiu a perpetuação dessa situação de disparidade: “O ponto de vista básico foi sublinhado com admirável franqueza num documento datado de 1948 pelo presidente do planeamento político do Departamento de Estado e respeitado estadista e académico, Georege Kennan, um pacifista moderado dentro do espetro do planeamento. Fez notar que “o objetivo politico central dos USA deveria ser a preservação da posição de disparidade que separa a nossa extensa riqueza da pobreza dos outros”. Para se alcançar esse objetivo, advertiu, “devemos parar de falar sobre objetivos vagos e irreais como os direitos humanos, a subida dos níveis de vida e a democratização e introduzir conceitos declaradamente assentes no poder, sem o obstáculo de slogans idealistas sobre o altruísmo e benefícios para o mundo”. Havia, contudo, a noção plena de que os slogans idealistas seriam ostensivamente exibidos a outros, incluindo as classes intelectuais, os agentes expectáveis da sua disseminação”.

Ao longo da história, tem havido expressões diversas deste desígnio. Das mais recentes, pode citar-se a política americana para a América do Sul que incluiu o período ditatorial daquele continente sobretudo levado a cabo na presidência de Reagan e antecessores. A política seguida foi a do financiamento e treino de grupos rebeldes nacionais levados a cabo pela CIA. A adaptação desta doutrina a esta zona do globo já havia sido iniciada pelo Presidente Kennedy através da “…alteração da missão dos militares latino americanos que passou de “defesa hemisférica” a segurança interna”. Não pode esquecer-se a invasão da universidade jesuíta em El Salvador e o assassinato de seis prestigiados intelectuais, padres jesuítas, perpetrado pelo Batalhão Atlacatl, financiado e treinado indiretamente pela CIA, bem como o do Arcebispo Oscar Romero na Nicarágua.

Com as presidências Bush I, considerado o “Bush estadista” e Bush II, este desígnio concentrou-se do médio oriente, norte de África e Afeganistão. “A preocupação foi sempre mais o controle do que o acesso. A sua política face ás revoltas populares manteve-se próxima das linhas de orientação padronizadas: apoiar as forças mais recetivas à influência e ao controle da nação americana”. O presidente Bush II gritou na estreita sala de conferências: ”Não me interessa o que dizem os advogados do direito internacional, vamos tratar da saúde a quem merece” (Richard Clark, Director do Grupo de Segurança Contraterrorista da Casa Branca, aquando dos planos para atacar o Afeganistão). Daqui passou-se à invasão do Iraque com todas as consequências que lhe são conhecidas: “um erro histórico”, mesmo que enquadrado na luta contra o terrorismo.

Na Europa, o exemplo mais flagrante deste desígnio ocorreu aquando da unificação alemã com que Mikhail Gorbachev terá concordado na condição de a NATO não se expandir “um centímetro para leste”, circunstância que ocorreu quase de imediato. Esta proposta já havia sido feita por Stalin em 1952 o qual “se mostrava disposto a consentir que a Alemanha fosse unificada por intermédio de eleições livres sob a condição de não vir posteriormente a juntar-se a uma aliança militar hostil”. Perante a indignação de Gorbachev, Washington comunicou-lhe “que se tratara de um acordo de cavalheiros e que, portanto, não tinha qualquer valor. Se foi ingénuo ao ponto de acreditar na palavra dos lideres americanos, problema seu”.

Na presidência Clinton, ele foi expresso sem nenhuma ambiguidade: “…os USA tem direito a recorrer á força militar para garantir o livre acesso a mercados essenciais, núcleos de fornecimento de energia e recursos estratégicos e deverão manter forças militares na Europa e na Ásia de maneira a moldar a opinião das pessoas a nosso respeito e a intervir em acontecimentos que possam condicionar a nossa subsistência e a nossa segurança”.

­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­A mais recente versão desta doutrina é “doutrina Obama”: “O envolvimento acompanhado do propósito de atender às necessidades estratégicas fulcrais”. A que vier agora com o presidente Trump não será muito diferente. Caso o seja, será para pior, como todos os seus posicionamentos parecem vislumbrar.

Nesta matéria, convém referir que a justiça poderia ter um papel dissuasor de algumas políticas. Mas: “O Departamento de Justiça explicou que a garantia constitucional do respeito das garantias processuais (elemento central da Carta de Liberdades e da Constituição), que remontam á Magna Carta, é agora exclusivamente satisfeita por deliberações internas do poder executivo”.  Este desígnio global chega às questões micro e pessoais: ”…existe inclusive legislação aprovada no congresso que autoriza o presidente a fazer uso das forças armadas para salvar qualquer norte americano de um eventual julgamento em Haia” – “lei da invasão da Holanda”, como é conhecida. Todos nos lembramos da morte de Ossama Bin Laden que teve lugar através da invasão militar de um país aliado e sem o seu prévio conhecimento, como confirmam a notícias sobre o conflito diplomático e quase militar que o facto poderia ter gerado. “Enquanto os fuzileiros ainda estavam no edifício onde se encontrava bin Laden, o Chefe do Estado Maior do Exercito Ashfaq Parvez Kayani foi informado do assalto e deu ordem ao exército para disparar contra qualquer avião não identificado, que ele presumia ser da India. Entretanto em Cabul, o general norte-americano David Petraeus ordenou “que aos aviões de combate reagissem” caso os paquistaneses “se apressassem a levantar voo nos seus caças”. Como o presidente Obama viria a confirmar posteriormente, “o pior não aconteceu”.

Os grandes riscos da humanidade: o nuclear e o ambiental.

O Nuclear

Não são vitoriados publicamente, mas a era das armas nucleares (EAN) tem  já três heróis a quem, provavelmente a humanidade deve a sua sobrevivência: “Ficámos a saber, graças a  Mélvin Goodman, analista de atividades militares e de informações, na altura chefe de divisão e analista chefe no gabinete de assuntos soviéticos da CIA. ”Além dos exercícios  no âmbito da operação  Able Archer (basicamente a operação consistia em três ataques simulados) que alarmaram o Kremlin, a administração Reagan autorizou exercícios  militares invulgarmente agressivos perto da fronteira soviética, que em alguns casos violaram a soberania territorial soviética. As arriscadas medidas do Pentágono incluíram o sobrevoo do polo norte por bombardeiros estratégicos norte americanos para testar os radares soviéticos”. Sabemos agora que o mundo foi salvo de uma provável destruição nuclear durante aqueles dias assustadores, graças á decisão de um oficial russo, STANISLAV PETROV, de não transmitir às autoridades superiores o relatório dos sistemas automáticos de defesa, segundo o qual a URSS estava a ser alvo de um ataque de misseis. Como tal, PETROV merece figurar lado a lado com o comandante do submarino russo VASILI ARKHIPOV que, num perigoso momento da crise dos misseis cubanos de 1962, se recusou a autorizar o lançamento de torpedos nucleares quando os submarinos soviéticos se encontravam sob ataque de contratorpedeiros norte americanos de quarentena”, eufemismo do bloqueio a Cuba. “O outro herói é americano: JOHN BORDNE, cuja divulgação só recentemente foi autorizada pela Força Aérea dos USA: “BORDNE prestava serviço na base americana de Okinawa em outubro de 1962. O sistema de alerta norte-americano havia sido elevado para DEFCON2 (Condições de Defesa1), um nível abaixo do DEFCON 1, segundo o qual misseis nucleares podem ser lançados de imediato. ….uma tripulação recebeu erradamente autorização para lançar os seus misseis nucleares. Decidiu não o fazer, evitando uma provável guerra nuclear e passando a fazer companhia a PETROV e ARKHIPOV no panteão dos homens que decidiram desobedecer ao protocolo e, desse modo, salvarem o mundo”.

Há outros exemplos:

Em 26 de Outubro de 1962, o dia em que a humanidade esteve à beira da extinção: O Comandante Don Clawson pilotava um bombardeiro estratégico B52 “em missão com armas nucleares a bordo prontas a serem usadas”. Afirmações suas: “Foi uma sorte dos diabos não termos mandado o mundo pelos ares, e esse desfecho em nada se deve á liderança política ou militar do país”. “Clawson explica no relato que faz das experiências porque passou aos comandos de um bombardeiro durante as 15 missões de 24 horas da Operação Chrome Dome”: “não tinham meios para impedir que uma tripulação, ou um membro de uma tripulação mal-intencionado, largasse as armas termo nucleares que transportava” “ou mesmo para a impossibilidade de transmitir via rádio uma missão de ataque “a toda a força de alerta sem possibilidade de ser abortada. Era possível que todas elas fossem largadas sem instruções em contrário vindas de terra. Não havia em nenhum dos sistemas nada que impedisse de isso acontecer”.

O especialista em segurança nuclear Bruce Blair refere ”que o mais perto que os USA estiveram de uma inadvertida decisão estratégica de lançamento por parte do presidente  aconteceu em 1979 quando uma gravação de treino alerta precoce do NORAD (Comando de Defesa Aérea da América do Norte), representando um ataque estratégico soviético de larga escala percorreu inadvertidamente a rede de alerta precoce. Zbigniew Brzezinsky, consultor de segurança nacional recebeu dois telefonemas durante a noite dizendo que os USA estavam sob ataque, e preparava-se para agarrar no telefone e convencer o Presidente Carter que se tornava necessária a autorização imediata de uma resposta de escala total, quando uma terceira chamada lhe disse que se tratava de um falso alarme”.

“Em 1967, durante a guerra do médio oriente, a tripulação de um porta aviões recebeu uma ordem real de ataque em lugar de uma ordem de exercício/treino nuclear. Alguns anos depois, no início da década de 70, o SAC em Omaha retransmitiu uma ordem de lançamento de um exercício como sendo uma ordem de lançamento real. Em ambos os casos as verificações de código haviam falhado e a intervenção humana evitou o lançamento”.

Finalmente, um estudo do STRATCOM de 1995 na presidência Clinton “apela à retenção do direito ao primeiro ataque, mesmo contra estados não nucleares e que neutralize a capacidade de retaliação”.

Em conclusão, diz Seth Baum: “A guerra nuclear é o cisne negro que nunca é visível, excepto naquele breve instante em que nos mata”.

O Ambiental

Comecemos pelo ridículo, embora se respeite a fé: “quase todos os republicanos negam o problema das alterações climáticas. E pior ainda alguns deles são verdadeiros crentes: o novo presidente de um sub-comité criado para as questões ambientais explicou “que o aquecimento global não pode ser um problema porque Deus prometeu a Noé que não haverá mais nenhum dilúvio”.

Todos os candidatos republicanos à presidência adotaram posições evangélicas face a esta magna questão e que pode resumir-se na crença de que o ser humano não tem nenhum impacto no aquecimento global “se é que tal coisa existe”. A dedicação exclusiva do partido republicano à riqueza e ao privilegio, levou analistas políticos conservadores (Thomas Mann e Norman Ornstein) a apelidá-lo de “insurgentes radicais que aguardam o Segundo Advento e que praticamente abandonou   as normas políticas parlamentares”. À sua frente encontra-se Lamar Smith, líder republicano da Comissão para a Ciência, Espaço e Tecnologia que avançou com a sua “jíade contra os cientistas governamentais”.

Antes da Conferência de Paris, o Laboratório de Propulsão a Jato da NASA divulgou um estudo que surpreendeu e alarmou os cientistas e o mundo: “um enorme glacial da Gronelândia, com o nome de Zachariae Isstrom abandonou uma posição glacialmente estável em 2012 e entrou numa fase de retirada acelerada”. O glaciar tem água para subir o nível global dos oceanos em 46 cm, caso venha a descolar e derreter.

Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), o limite de segurança climática será atingido em 2017, caso o mundo continue a seguir o atual rumo. “A porta está a fechar-se”, disse o economista chefe da AIE e “fechar-se definitivamente”.

NC suscita, como é obvio e natural em todas as personalidades excecionais, polémicas, controvérsias e até ódios. São discutíveis as suas opiniões quando classifica Reagan e Kissinger como terroristas, o primeiro como o maior terrorista da história, e os USA como “Estado vilão”. Mesmo que, e apesar de Robert Jervis, presidente da Associação Americana de Ciência Política afirmar: “aos olhos de grande parte do mundo, com efeito, o principal estado terrorista da atualidade, são os Estados Unidos”.

Por isso, e como também sempre acontece, ele é enquadrado/classificado social e politicamente em alguns dos seus quadrantes, como defesa face às suas ideias e no intuito de as ignorar e desvalorizar. Sobre esse conhecido processo ele afirma: ”Esses tipos de classificações, (chomskyano, marxista, anarcossindicalista, socialista libertário, freudiano), não fazem sentido em ciência nenhuma e pertencem á história da religião como organização”.

Citamos, como mero exemplo, uma afirmação de cada um destes dois espectros (amor/ódio) que NC suscita: “O trabalho de Chomsky é uma das realizações mais notáveis da era atual. Com o tempo, creio que a maior contribuição dele será a de ter dado um grande passo na restauração da concepção tradicional da dignidade e singularidade do homem”, John Searle. “Ele parece sentir-se autorizado a esquecer e distorcer a verdade sempre que ela serve a sua conveniência polémica. Ele começa como um pregador para o mundo e termina como um intelectual trapaceiro”, Arhtur Schlesinger Jr.

Termino com uma citação de NC que constitui um aviso que deve estar sempre presente em democracia e em todos os seus calendários: “A propaganda representa para a democracia aquilo que o cassetete (isto é, a polícia política) significa para o Estado totalitário”. A ser assim, será conveniente acrescentar e elucidar que, pelo menos, a dor será bem diferente!…

Outras obras de NC:

NC escreveu mais de cem livros sobre temas diversos: linguística, psicologia, política e conflitos políticos e militares. A lista que se segue é meramente exemplificativa da imensidão da sua obra.

Estrutura lógica da Linguística, 1955;

Linguística Cartesiana, 1966;

Linguagem e Mente, 1968;

Modelo Modular do estudo da Mente, 1984;

Linguagem e Pensamento, 1993;

A arquitetura da Linguagem, 2000;

O Poder americano e os novos Mandarins, 1969;

O Lucro e as Pessoas, 2002;

11de Setembro, 2003;

Para entender o Poder, 2005;

Poder e Terrorismo, 2005;

Rumo a uma nova Guerra Fria, 2007

Razões de Estado, 2008.

 

Psicólogo clínico. Mestre em Políticas e Gestão de RH pelo ISCTE em 1995. Membro da Associação Portuguesa de Psicologia, Sociedade Portuguesa de Grupo-análise, sócio fundador da Sociedade Portuguesa de Rorschach e métodos projetivos e membro da Sociedade Internacional de Rorschach. Docente no ISCE de 1999 a 2007. Aposentado. Ex Dirigente da DGRSP nas funções de Diretor dos Estabelecimentos Prisionais de Viseu, S. Pedro do Sul e Lamego. Foi Diretor do Estabelecimento Prisional de Sintra e Adjunto do Diretor do Estabelecimento Prisional de Lisboa.

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