La cosa nostra

por Rui Coutinho | 2014.03.28 - 11:34

La cosa nostra é uma terminologia que procura resumir e retratar todas as movimentações de famílias e clãs de ascendência italiana no mundo da presumível ilegalidade.

Uma das mais célebres figuras dessa actividade foi El Capone que fez fortuna nos EUA na década dos anos 30 através do controlo de casas de jogo, prostíbulos, bancos de apostas em corridas de cavalos, clubes nocturnos, destilarias, cervejarias, facturando durante o período da conhecida “lei seca” 100 milhões de dólares/ano.

A actividade da cosa nostra foi retratada em vários filmes, talvez o mais conhecido e de maior impacto o The Godfather, do clã Corleone que lançou a carreira de actores como Al Pacino e Rober Duvall e valeu um óscar para melhor actor a Marlon Brando, abrangendo ainda várias series televisivas como a “La piovra” onde pontificava o frenético comissário Corrado Cattani.

Os tentáculos da actividade de El Capone durante a década de 30 estendiam-se em Chicago também ao controlo do mercado de leite e da manteiga com repercussões em todos os EUA.

No sector ambiental, em Itália, a máfia (camorra) inspecciona e detém legalmente a recolha de lixos urbanos em quase todas as cidades. Nas zonas rurais de Nápoles, onde abundam os melhores solos agrícolas, a camorra amontoa e queima toneladas de lixo urbano, inviabilizando a produção hortícola na região.

Nos dias de hoje, esta organização tem vindo a infiltrar-se paulatinamente no sector agrícola e alimentar italiano, com ramificações europeias, fiscalizando já algumas redes de distribuição, de produção de leite, queijos e fruta, num volume de negócios que atinge os 14 mil milhões de euros.

A questão que muitos neste momento colocam é saber a razão deste repentino interesse.

Talvez não seja muito difícil de descortinar. Vejamos: a alimentação é uma necessidade diária, o que faz movimentar enormes fluxos de dinheiro, permitindo deste modo acomodar de modo cintilante a sua presumível proveniência. Na actual conjuntura, 15% da produção de bens agrícolas italianos está na sua tutela. Deste modo, não será de estranhar a existência no mercado de massas “Al Capone “ e de conhaque “Don Corleoni”, o que fez já correr muita tinta na imprensa local.

A ser assim, parece notório que os sectores da agricultura e do agro-alimentar estão na mira de vários interessados.

Neste momento, deixo a cada um a hilariante e quimérica possibilidade de estabelecerem a sua hierarquia que começa no “Don”, passa para o “Sottocapo”, desce aos “Caporegines” e termina nos “Soldatos”.

Técnico Superior a exercer funções na Escola Superior Agraria de Viseu (ESAV) com ligações a projectos agrícolas e agro-alimentares é Bacharel em Engenharia Agro-Alimentar pela ESAV, Licenciado em Enologia pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) Mestre em Biotecnologia e Qualidade Alimentar pela UTAD e com o Curso de Doctorado em Bromatologia e Nutrição pela Universidade de Salamanca.

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