KOBO

por António Soares | 2015.01.28 - 12:05

 

Faz agora um mês que adquiri um e-Reader, o Kobo Aura. Primeiro estranha-se, e primeiro também se entranha.

O e-Reader mais famoso do mundo é o Kindle, da poderosa Amazon. O Kobo, distribuído pela FNAC, não é uma alternativa ao Kindle, mas um concorrente à altura.

Ao contrário dos tablets, os e-Readers não têm dezenas de funções, centenas de aplicações e milhões de cores. Um e-Reader serve essencialmente para ler, mas nessa função é o melhor (a seguir ao papel).

Os e-Readers exibem conteúdo a preto e branco, com tecnologia e-Ink – a tinta electrónica. Para além de ser perfeitamente legível e não reflectir a luz solar, esta tecnologia tem a enorme vantagem de proporcionar conforto visual ímpar, muito semelhante ao papel. Esta é, definitivamente, a grande vantagem dos e-Readers, especialmente para quem é diariamente saturado por monitores de computador, televisões e smartphones com tecnologia LCD/LED.

A Kobo diz que sem iluminação da tela, com tempo de leitura diário de 30 minutos, a bateria dura sensivelmente dois meses. Até agora não consigo provar o contrário.

No formato Epub, o formato mais adequado para o Kobo, podemos sublinhar uma palavra para a destacar ou para ver o seu significado no Dicionário. Se tivermos Wireless acessível podemos consultar essa mesma palavra na Wikipédia. Mas a função mais interessante é a “Beyond the Book”, que nos dá informação sobre as personagens, autor e outros conteúdos relacionados com o livro.

Neste formato (Epub) podemos personalizar a forma como visualizamos o documento. Podemos alterar o tipo de letra, o seu tamanho, espaçamento, margens, etc. Esta função não está acessível no formato PDF. A solução passa por converter os PDF’s para Epub, embora ainda não tenha encontrado um programa que realize essa função sem alterar – muitas vezes dramaticamente – a formatação original.

Um efeito peculiar é o “piscar” como resposta da tela ao toque. É arcaico, é verdade, mas com o tempo torna-se uma elegante idiossincrasia tecnológica. Um pouco como o efeito de desligar dos antigos televisores que, curiosamente, foi adoptado pelos modernos tablets e smartphones como efeito de bloqueio.

O Kobo também possui um browser para navegar na Internet, mas é um processo fastidioso.

Como ferramenta de trabalho não é de desprezar a utilidade de um e-Reader. Sejamos sinceros, até o mais disciplinado leitor tem dificuldade em resistir aos sucessivos alertas do GMail e Facebook, ou dos pedidos de actualização das APP’s instaladas no tablet. No Kobo não existe barra de notificações. As distracções incorporadas são o “Sudoku” e o “Paciência”.

Para quem gosta ou precisa de muitas horas de leitura, um e-Reader revela-se uma ferramenta muito útil: saudável para os olhos, bateria de longa duração, e-books significativamente mais baratos, dicionário incorporado e informações on-line à distância de um WiFi (embora já estejam disponíveis e-Readers com 3G incorporado), capacidade de utilizar a “pesquisa” (em consultas a livros técnicos é muito útil e mais rápido que folhear), permite marcar páginas, sublinhar e traduzir palavras e frases.

A grande desvantagem do Kobo é não permitir o envio de ficheiros por Wireless para o dispositivo. O melhor que podemos fazer é instalar o Pocket, um software que permite guardar artigos ou notícias da Web para ler no Kobo. Apesar de proveitosa, esta função não se compara à utilidade do envio ficheiros sem ligar o cabo USB.

Na hora da compra, na escolha entre um tablet e um e-Reader não há melhor ou pior. A decisão é tão pessoal quanto a necessidade de cada um.

Mas para um esclarecimento mais aprofundado, o melhor é mesmo experimentar na FNAC. Ou, entretanto, espreitar um bom review: https://www.youtube.com/watch?v=_RnCKpTq5Lo