Jovens que morrem. Porquê?

por Jéssica Ferreira | 2020.01.13 - 13:27

No escuro da noite muitos se sentem protegidos. Protegidos para atacar indefesos cidadãos. E do ataque passar a uma inexplicável violência que degenera em brutais assassínios.

Por um telemóvel se mata à facada. Por uma troca de palavras se mata à paulada.

Se a noite parece proporcionar no seu manto de trevas uma capa de anónima impunidade, os grupos propiciam a “coragem” necessária para roubar, agredir, matar.

Estes casos que começam a proliferar têm esses denominadores comuns, sendo certo que o indivíduo solitário pratica outros crimes, como por mero exemplo o da violação, pouco ou nada se podendo tipificar neste dramático contexto.

Os agressores, ao que parece, são jovens. Marginais, decerto. Talvez agindo numa trágica mimesis do que vêm nos canais da tv e nos filmes dos cinemas. Onde tudo parece ser fácil e onde os vilões colhem simpatias, no seu rebelde inconformismo. Mas… e os agredidos, as vítimas inocentes do espírito de gangue, da síndrome grupal, dos cobardes em manada? Jovens que estavam no lugar errado à hora errada?! E isso, esse fatalismo, servirá de epitáfio e justificará as vidas ceifadas na sua juventude?

Os “algozes” da jovem vítima de 24 anos na Cidade Universitária, em Lisboa, já terão rosto, identificação e captura. E os “carrascos” de Bragança, 15 ou mais (?), filmados pelas câmaras de videovigilância, provavelmente identificados pelos seguranças da discoteca onde tudo começou, serão invisíveis? Por quanto tempo?

Hoje, fazer justiça não dá vida aos que a perderam, mas pode ser, pedagogica e profilaticamente, um elemento dissuasor de futuros assassínios e actos violentos, além de um alerta positivo para aqueles a quem nunca foi ensinado o valor da vida humana e que, através da violência, transformam existências felizes em desgraças individuais e sociais.

(Fotos DR)

Jéssica Ferreira