Je suis Brexit

por Luís Ferreira | 2016.06.24 - 21:20

 

Conhecemos hoje o resultado do referendo britânico acerca da saída do Reino Unido da União Europeia, confirmando-se o Brexit com 51.9% de votos. Assim, e tal como prometido, David Cameron deve acionar brevemente o artigo 50º. do Tratado de Lisboa, cujo permite a saída de qualquer Estado membro por sua livre vontade.

Desde então, enquanto UE, estamos em terrenos desconhecidos. Sabemos que no curto prazo ninguém terá vida fácil, que se viverá uma instável crise política e económica quer no Reino Unido quer no resto da UE. E podemos já observar dados empíricos: a libra encontra-se já em valores de 1985, David Cameron afirma demissão até outubro, as bolsas europeias a afundar na generalidade e a Escócia a equacionar um novo referendo de independência face ao Reino Unido. Grandes multinacionais pensam em mudar-se para outros países que lhes permitam maior facilidade em importar bens intermédios e exportar bens finais e, de modo semelhante, a comunidade portuguesa emigrante sente-se também preocupada, dada a falta de informação e detalhe por parte dos órgãos competentes da UE acerca do estatuto dos indivíduos e organizações que usufruem dos direitos da União.

E motivadas pela incerteza e risco associados a esta ação britânica, as economias europeias vão “tremendo”. Perceba-se que a incerteza é o mal mais temido pelos investidores. E, não sabendo o que vai acontecer no futuro, todos jogam pelo seguro: uns na tentativa de venda de ativos de risco e outros na consequente diminuição de procura dos mesmos. De forma semelhante, poderemos ver problemas com obrigações de tesouro de países com maior risco, como Portugal, Espanha ou a Grécia, que poderão tentar a sua venda e não a conseguir realizar dadas as cautelas dos investidores perante os estados financeiros incertos dos bancos centrais. Por outro lado, dada a desvalorização da libra, é expectável que a economia portuguesa venha a sofrer uma quebra de exportações direcionadas ao Reino Unido. Alguns poderão até ter um déjà-vu da quinta feira negra de 1929. Mas esta nem é americana nem de 29. É britânica (ou até europeia) e de 2016.

No entanto, poucas conclusões detalhadas podemos inferir para o longo prazo. Ou amanhã se vive um business as usual ou continuaremos a degradar o sistema. Não obstante, na minha mais modesta opinião e sem intenção de ferir suscetibilidades, não se sabe bem se este “filme” todo é por preocupação verdadeiramente social, económica e financeira, ou só mesmo para que mais nenhum Estado-membro tenha ideia igual. É que o Reino Unido sempre teve um pé dentro e outro fora. A verdade é que, seja como for, parece-me que daqui a poucos anos a economia britânia será uma análoga suíça situada mais a Noroeste.

Contudo, enquanto uns festejam a vitória e outros choram a derrota, uns pedem coesão, coerência e unidade europeia e outros reúnem enquanto nostálgico grupo fundador. Ninguém entende muito bem! Mas diziam já os antepassados que “Amigo verdadeiro vale mais que o dinheiro”.  Veremos!

Luís Ferreira é natural de Ferreirim, Sernancelhe, tem 17 anos e é estudante de Economia.

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