Jardins Efémeros – Hipocrisia e perfídia?

por PN | 2019.03.27 - 12:09

 

 

“A hipocrisia, debaixo do colorido de uma linguagem sedutora, vela a perfídia e a mentira”

                                                                                       Pindaro, “Les jeux néméens” (trad. livre)

 

 

Acerca dos Jardins Efémeros, desde o seu surgimento, muita tinta tem escorrido. E ainda bem. É sinal de que bule com as pessoas. Com os que gostam e com os que detestam. Com os apologistas e os críticos. Tudo o que foge à linearidade da norma é gerador de polémica.

O vereador da Cultura & Etc., Jorge Sobrado, na sua provável megalomania de “petit prince” do Rossio, entronizado pelo seu mentor Almeida Henriques – vá-se lá a saber porquê! – crer-se-á sol e sombra, receando todos quantos lhe tiram a luz e/ou o ensombreçam.

Talvez por isso, os Jardins Efémeros lhe causassem algum estranho incómodo. Uma espécie de urticária.

Talvez por isso, a CMV pela sua ágil mão, lhes tenha vindo a reduzir gradualmente o apoio material, desse modo enviesando a sua não possível concretização.

Agarrando-se a argumentos como a falta de apoio da DGartes – meros “peanuts” para quem tanto “estima e estimula” a cultura – foi gradualmente esvaziando de financiamento um dos poucos projectos culturais que pôs Viseu no mapa (ou terá sido o festival literário Tinto e Branco ou Branco e Tinto, que aqui a ordem dos factores é arbitrária?).

Depois de assim inviabilizar o evento e ao ouvir a pateada nacional que ecoou, arranjou um discurso de circunstância em que vestiu a pele da vítima, carpindo-se dos malefícios que a impossibilitada realização traria para Viseu, para o comércio local, para o orçamento camarário onde já teria cabimentado a verba e não sei quantas mais tretas enroladas em muita lata e labieta.

Até nem fica mal citar Jonathan Swift acerca “da verdade e da transparência perfeitas pertencerem ao reino animal“… é que “os homens perduram em virtude do seu recorrente fingimento. Mas a máscara é usada debaixo da pele.”

A prestidigitação com a linguagem é um artifício de ilusionista ou criador de ilusões. A verdade dos factos e a sua manipulação é de artista. Mas na subtil arte da perfídia e da hipocrisia.

Entretanto, no meio cultural local, em cerimónia virtuosa, acorreram os outros “artistas” da cidade. Receberam um aperto com a mão direita e um subsídio com a esquerda. Para ónus, só tiveram que ficar na fotografia…

 

Paulo Neto

(Foto Rua Direita)