Jardins Efémeros 2015: uma apresentação crispada

por Carlos Cunha | 2015.06.24 - 00:42

 

 

Quem se deslocou ao Centro Histórico (CH) para assistir à apresentação dos Jardins Efémeros 2015 (JE) não pôde deixar de reparar no clima de crispação existente entre a organizadora do evento, Sandra Oliveira, e o Presidente do Município, Almeida Henriques (AH).

Tudo parecia carrilar com normalidade enquanto Sandra apresentava as áreas, os espetáculos e as entidades que com ela trabalham em parceria para levar à cena os JE 2015. Pelo que foi dado a conhecer, uma vez mais os JE vão apresentar um cartaz extenso e variado, composto por música, teatro, dança, fotografia, artes visuais, cinema…que promete animar Viseu na primeira quinzena de julho.

AH começou bem enaltecendo os JE, chegando a afirmar e passo a citar “que durante o mês de julho, Viseu seria a capital criativa do país”, no entanto, quando resolveu falar do esforço financeiro efetuado pela autarquia através da concessão de 125 mil euros de apoio, Sandra não aguentou e o verniz estalou, só não rachou, porque a apresentação era pública, havia convidados e AH acabou por colocar prudentemente alguma água na fervura.

Entre remoques e agradecimentos mútuos ao trabalho de cada um, AH despiu, momentaneamente, a farda de Presidente da edilidade para vestir a de cidadão e anunciar que, graças ao seu empenho, conseguiu angariar um patrocínio de 20 mil euros cedido pela GALP ao abrigo da lei do mecenato. AH tirava assim um coelho bem graúdo da cartola que pouco esperavam, mas Sandra não quis ficar atrás e anunciou um patrocínio concedido pela Fundação Millennium BCP de 6 mil euros. Por este andar Sandra ainda terá de mandar colocar no CH uma floresta em homenagem ao cidadão AH.

A organizadora dos JE afirmou ainda que o custo total deste evento ultrapassaria os 300 mil euros, mas graças ao seu esforço e das empresas envolvidas foi possível efetuar uma redução significativa da despesa, o que fez com que a edição deste ano dos JE tenha um custo total de 195 mil euros.

Se somarmos os valores referidos e lhe juntarmos ainda os 6 mil euros recolhidos na campanha de crowdfunding, percebemos que ainda estão em falta uns quantos milhares de euros.

Entendo, portanto, os motivos da crispação de Sandra, visto que, para além do enorme trabalho realizado, ainda não sabe, a uma semana do início dos JE, se terá angariado o pilim suficiente para honrar os compromissos assumidos.

Para Sandra está visto que os JE têm dois valores intocáveis dos quais não está disposta a abdicar: a qualidade e a gratuitidade do evento. Por seu lado AH não está disposto a ultrapassar o teto máximo inscrito no programa Viseu Terceiro.

E agora, até quando aguentarão os JE neste modelo e de que lado ficarão os viseenses?

Carlos Cunha é militante do CDS-PP de Viseu e deputado na Assembleia Municipal. Licenciado em Português/Francês pela Escola Superior de Educação de Viseu concluiu, em 2002, a sua Pós Graduação em Educação Especial no pólo de Viseu da Universidade Católica Portuguesa.

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