Janeiro de 2017… Vida cultural em Tondela

por Cílio Correia | 2017.02.02 - 09:36

Eu, inculto, me confesso.

Ontem estive à conversa com um amigo sobre as razões da adinamia da vida cultural em Tondela que, aliás, não é muito diferente doutras paragens. O movimento associativo vive num estado de anemia perniciosa. E depois de muito caboucar e esgravatar, fizemos uma resenha do que já fomos e do que somos, concluindo pela falta dum estudo que nos habilite a perceber as causas do alheamento cívico.

Tem sido recorrente assacar responsabilidades. A culpa, ora se atribui às associações, ora às injeções massivas de futebol televisivo. Tem dias. Acenar com euros já não dá. Tudo serve de desculpa. Em algum lado há-de ficar. Não nos podemos estar nas tintas ou ficar pelo encolher de ombros. Certo mesmo é que depois do jantar, salvo dois ou três “santuários tradicionais” de encontro onde se despejam umas bejecas a noite tondelense parece duma “cidade fantasma”. Distribuem-se culpas. Perdeu-se o espírito de parada-resposta, de jogar ao primeiro toque. Estamos no passa-repassa-passa. Há outras causas que levam a este vazio. Precisa-se duma interpretação sociológica. O ano tem 365 dias.

Era importante identificar e elencar os contornos que se vêm desenhando, quando já nem a ACERT os consegue contrariar, como referencial cultural que é, com a ressalva dos espectáculos teatrais, Tom de Festa, FINTA e Judas.

Era bom reflectir sobre o “porquê” e na estratégia para inverter a tendência. A indubitável adesão aos programas tipo “nestum com mel”, como a FICTON, são insuficientes para compensar a sacralização do “vento que passa”.

A seguir ao aquecimento global e programa carbono zero, a preocupação vai para a reabilitação da frente ribeirinha do Dinha. Oscilamos entre a verdade dos factos e a ficção.

Chega de culpabilizar os outros. O problema também reside na atitude de cada um de nós.