Já fez sorrir alguém hoje?

por Luís Ferreira | 2015.01.14 - 13:36

 

Numa sincera e genuína homenagem àqueles que ultimaram os abraços, vencidos pelo cancro, decidi escrever este artigo. Um ato simbólico aos que já terminaram a luta, mas também solidário com todos os que passam por esses tempos fortuitos inimagináveis.

Por vezes refletimos e questionamo-nos em como poderíamos ajudar qualquer doente. Não escasseariam ideias e oportunidades se não fosse a inércia geral nacional. Vou, portanto, tentar lembra-lo e informá-lo de formas simples de se tornar um pequeno herói.

Infelizmente, e após a minha tão desejada primeira doação de sangue, confirmei que o meu cabelo não respeita os requisitos para que pudesse ser doado. É verdade!! Os Institutos Portugueses de Oncologia permitem que haja doação de cabelo para a criação de cabeleiras naturais! Informando-me no IPO de Lisboa, explicaram-me que as imposições são rigorosas. Estas restringem cabelos espigados, danificados por pinturas ou permanentes, e só aceitam cabelos com mais de 30cm, referindo que o cabelo deve ser cortado em trança ou “rabo-de-cavalo”. E em seguimento de conversa com a atenciosa médica que me explicou o procedimento, espantado fiquei quando me referiu que se estima que 80% das doações sejam feitas por crianças que pretendem apoiar amigos. “Aquilo que para nós não passa de cabelo, para eles é bem mais do que um sorriso”, refere.

Mas se mesmo assim continua apreensivo/a e ainda não o/a convenci, vou insistir, a menos que me diga que é daqueles que vai ao médico e implora que “faça qualquer coisa que eu não tenho mais razões para me queixar”! Em primeiro lugar, não se pode queixar do tamanho da agulha. Em segundo, é-lhe possibilitada a facilidade de enviar o cabelo por correio, ou até cortá-lo no cabeleireiro do IPO. Mas se 30cm lhe parecem desmesurados, tenho boas notícias: no IPO do Porto, o mínimo é de 25cm! E se ainda assim considera excessivo, informo que para a formação de uma cabeleira terão de existir três doações…

Gostaria que neste novo ano todos fossemos mais solidários. Até porque, a meu ver, é dever da sociedade fazer mais do que os seus deveres. “Perca” cinco minutos da sua vida, informe-se e ajude! Quiçá poderá estar a ajudar um qualquer amigo seu. Aproveite o impulso e doe sangue! O ano é novo, mas o dia de amanhã continua incerto para cada um de nós…

Felizmente, estou ainda ilibado de tal mal, mas continuo-o a valorizar a grandiosidade desses lutadores e guerreiros de todas as idades, que, dia após dia, lutam apenas por um amanhã.

E eu, esfriado pelos sopros das montanhas do Demo, continuo a aperceber-me que estou rodeado pela “sociedade das lamentações”…por aqueles que tanto falam e tão pouco fazem… Não queira ser mais um! Não vá para onde o vento puxar, vá pelo caminho certo!

Já fez sorrir alguém hoje? … faça-se também a si mesmo …

 

 

Luís Ferreira é natural de Ferreirim, Sernancelhe, tem 17 anos e é estudante de Economia.

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