Índice de Bem-Estar em Portugal

por Rui Coutinho | 2014.12.12 - 12:40

 

 

 

A crise mundial e europeia, com epicentro em 2008, tornou notória e premente a necessidade de adopção de novos indicadores que até ao presente momento se circunscreviam ao Produto Interno Bruto (PIB). Tudo era medido em função desta bitola.

A necessidade de determinar os factores que influenciam de modo contundente o quotidiano da população surgiu como uma premissa a que muitos procuraram dar resposta. Organizações como a ONU, a OCDE, o Eurostat, o FMI, o Banco Mundial e o Parlamento Europeu têm vindo a desenvolver novos parâmetros no sentido de melhor contextualizar o impacto que muitas das medidas e mecanismos adoptados tiveram e têm tido junto da população.

Por esta via, passa agora a ser possível determinar e quantificar o designado Índice de Bem-Estar (IBE). No sentido mais amplo do termo, o bem-estar é definido como a presença do melhor padrão de vida das pessoas.

O IBE resulta de um conjunto de indicadores estatísticos que quantificam, num contexto de sustentabilidade, não só o bem bem-estar (económico) como ainda a qualidade de vida das pessoas, alicerçados numa complexa base de dados compilados desde 2004 até 2012, no caso português.

As condições de vida materiais e económicas das pessoas passam agora a ser possíveis de mensurar recorrendo-se a indicadores do bem-estar económico, da vulnerabilidade económica e do trabalho e remuneração. Para avaliar a qualidade de vida, os autores valem-se dos seguintes indicadores: saúde, balanço de vida-trabalho, educação, conhecimento e competências, relações sociais e bem-estar subjectivo, participação cívica e governação, segurança pessoal e ambiente.

Em termos globais, o IBE em Portugal evoluiu de forma ascendente no período de 2004 a 2012. No entanto, os dois grandes grupos que suportam este índice denotaram comportamentos antagónicos. As condições económicas da população decresceram de modo contínuo ao longo do período em análise, em especial a partir de 2009. Assim, nos domínios do bem-estar económico, da vulnerabilidade económica e do trabalho e remuneração a degradação é notória e marcante durante o período em análise.

No que concerne à qualidade de vida, verifica-se um comportamento contrário, com sucessivos acréscimos. No que diz respeito à educação, conhecimento e competências, a evolução do índice é muito positiva. Idêntico comportamento, mas não tão vincado, regista-se na área da saúde, no balanço de vida-trabalho e no ambiente.

O documento em causa, elaborado pelo INE, permite esmiuçar com muito maior detalhe o que aqui agora se verte e cada um o poderá contextualizar tendo por base a sua vivência.

Deste modo, o IBE passa a constituir uma poderosa e indispensável ferramenta para todos os decisores públicos e privados e reveste-se de primordial importância para os agentes políticos, governamentais, investigadores e público em geral.

Segundo o estudo da Deloitte que se repete já há vários anos, os portugueses irão reduzir em 10.8% os gastos com compras nesta quadra natalícia, em comparação com 2013. O valor total a despender este ano será de 270€. Os dados contabilizados a partir de 1 de Dezembro permitem já determinar a sua divisão: 126€ vão para presentes, 99€ recaem na alimentação e bebidas e, por último, na componente social (jantares) sobejam 45€. O estudo refere ainda que 57% dos portugueses diminuíram os seus gastos com receio do cenário económico vigente, a que se junta a perda de rendimentos auferidos. Em oposição, 47% prevê aumentar os seus gastos aproveitando o novo calendário de saldos e promoções para se apetrecharem de bens.

Chegados aqui, importa perguntar: Isto Bem Está? ou Isto Bem Estará? A nova métrica, o IBE.

Boas Festas e um Bom Ano

 

Técnico Superior a exercer funções na Escola Superior Agraria de Viseu (ESAV) com ligações a projectos agrícolas e agro-alimentares é Bacharel em Engenharia Agro-Alimentar pela ESAV, Licenciado em Enologia pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) Mestre em Biotecnologia e Qualidade Alimentar pela UTAD e com o Curso de Doctorado em Bromatologia e Nutrição pela Universidade de Salamanca.

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