Hábitos recalibrados

por Rui Coutinho | 2014.01.17 - 15:09

Tendo por base os dados disponibilizados pela Nielsen relativos ao consumo familiar durante o período de Janeiro a Novembro de 2013, é possível concluir que os consumidores têm vindo a modificar, reajustar ou, melhor ainda, recalibrar o seu comportamento. As deslocações aos híper e supermercados passaram a ser em menor número, mas os gastos revelam-se superiores. O consumo médio nas 44 semanas em análise ficou-se pelos 63 euros/semana/família o que perfaz um gasto de 2776 euros. A frequência média de visita aos diferentes espaços foi de 116.2 vezes, com um gasto aproximado de 23.84euros/visita. Tendo por base o cabaz alimentar, verificou-se um aumento na aquisição de artigos de mercearia (+1.2%), de fruta e legumes (+0.7%), de congelados (+0.3%) e lacticínios (+0.1%). Em simultâneo, ocorreu uma diminuição das compras no talho (-0.5%) e na padaria e pastelaria (-1%).

No sector do retalho, os grupos Jerónimo Martins e SONAE encontram-se numa forte concorrência e reclamam para si e entre si as maiores quotas de mercado. O Continente parece ter reforçado a sua posição de liderança com 25.7%, o que implicou a deslocação dos consumidores aos seus espaços em 20.7 vezes, tendo ganho neste período 38 mil clientes. O Pingo Doce apresenta uma quota de 22%. Os clientes deslocaram-se aos estabelecimentos da cadeia 28 vezes, com um gasto médio de 26.74euros. Pese embora o Pingo Doce tenha perdido 78 mil clientes face a 2012, o grupo de distribuição teve no entanto a capacidade de reforçar a lealdade dos seus clientes, aspecto de suma importância na actual conjuntura.

O novo comportamento desenvolvido pelos consumidores é o resultado da enorme pressão promocional que se verifica no sector, onde as marcas próprias têm vindo a aumentar as suas vendas, por via da diminuição do preço dos seus produtos.

No período do Natal, segundo a informação prestada pelaSociedade Inter-Bancária de Serviços (SIBS) que gere a rede Multibanco, os portugueses movimentaram por esta via 3,869 mil milhões de euros, um acréscimo de 170 milhões face a 2012 (3,699 mil milhões de euros).

Considerando a possível retoma económica que tem vindo a dar mostras, embora ténues mas consistentes, de crescimento e melhoria, muitos vaticinam a continuação de um cenário em todo idêntico com muitas promoções e reajustamentos dos preços às disponibilidades monetárias das famílias. Outros temem que as alterações legislativas introduzidas no sector e a sua nova regulamentação acarretem custos acrescidos. A ser assim, o mais prudente talvez seja esperar por mais indicadores para ver se os hábitos se alteraram ou não.

Técnico Superior a exercer funções na Escola Superior Agraria de Viseu (ESAV) com ligações a projectos agrícolas e agro-alimentares é Bacharel em Engenharia Agro-Alimentar pela ESAV, Licenciado em Enologia pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) Mestre em Biotecnologia e Qualidade Alimentar pela UTAD e com o Curso de Doctorado em Bromatologia e Nutrição pela Universidade de Salamanca.

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