Greve dos Motoristas e Feira de S. Mateus

por Carlos Cunha | 2019.08.17 - 08:03

Felizmente, este Verão tem decorrido, e ainda bem que assim é, com poucos incêndios, tirando o caso de Mação, no Distrito de Santarém, que uma vez mais viu o seu território fustigado pelas chamas, que deram aso a uma acesa troca de acusações entre o Presidente de Câmara local e o Ministro Cabrita, que prontamente atirou com as culpas para o autarca.

Já o Sindicato Independente dos Motoristas de Matérias Perigosas e o seu representante legal, Pardal Henriques, têm aquecido o Verão, nem tanto por terras de Viriato, mas antes por Lisboa, Porto e Algarve.

Nesta guerra entre patrões e assalariados, o governo da esquerda colocou-se ao lado do patronato, aplicando medidas duras se atendermos a que a esquerda portuguesa se posiciona tradicionalmente mais ao lado os trabalhadores. Para impedir a paralisação do país como aconteceu no passado mês de abril o governo preveniu-se e preveniu os portugueses, fazendo com que estes abastecessem os depósitos dos seus carros não fosse o combustível faltar e quando foi preciso usar o músculo não hesitou: GNR’S e militares a fazerem o trabalho dos motoristas e polícias a escoltarem camiões e a imporem ordem junto dos motoristas grevistas.

Outro facto inédito nesta greve foi a figura da requisição civil com as autoridades policiais a irem buscar a casa os motoristas grevistas para irem trabalhar.

Inédito foi também o taciturno Ministro Vieira da Silva a dizer que ia mandar investigar as baixas médicas dos motoristas, lançando um manto de desconfiança sobre a classe médica, num aviso claro a todos aqueles que os resolvessem auxiliar. Não ficaria pedra sobre pedra e o importante era isolar o sindicato para melhor aniquilar as suas reivindicações e os reivindicadores não obstante a justiça de algumas de que é exemplo a transformação das horas extraordinárias e diuturnidades em salário efetivo.

A Direita com todas estas movimentações e medidas, ficou atónita, perplexa e paralisada.

O PSD fez um mero esboço crítico: primeiro falou David Justino, num formalismo impecável, tanto na apresentação como no discurso, mas que poucos ou nenhuns entenderam, revelando os problemas que o partido tem na gestão da comunicação.

Hoje, falou Rui Rio e o máximo que conseguiu dizer foi acusar o governo de dramatização excessiva da situação, tarefa em que foi coadjuvado pela comunicação social.

No CDS não houve reação digna de registo, para além de Pedro Mota Soares.

Por Viseu, o facto digno de registo e merecedor de ampla cobertura jornalística local foi o casamento, na Feira de S. Mateus, do casal Natércia e Rodrigo, a quem desejamos as maiores felicidades. S. Mateus, que dá nome à Feira, apadrinha os noivos, mas ficou sem o seu dia! Talvez tenha chegado o tempo de mudar o nome à Feira ou não. Devia ser o povo a pronunciar-se sobre isso! Até lá aproveitem para ir às farturas ou às enguias, duas das iguarias mais antigas e afamadas.

Carlos Cunha

Carlos Cunha é militante do CDS-PP de Viseu e deputado na Assembleia Municipal. Licenciado em Português/Francês pela Escola Superior de Educação de Viseu concluiu, em 2002, a sua Pós Graduação em Educação Especial no pólo de Viseu da Universidade Católica Portuguesa.

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