Governar a todo o custo…

por Carlos Cunha | 2015.10.28 - 22:44

 

1. Após auscultação dos partidos políticos com assento parlamentar na próxima legislatura, o Presidente da República deu posse a um governo minoritário de direita.

Ao proceder assim Cavaco Silva cumpriu a tradição democrática do pós 25 de abril, empossando como primeiro-ministro o líder da força partidária mais votada.

A falta de acordos pautou as conversações entre PSD/CDS e PS, sendo um mau presságio para um governo minoritário. Bloco e CDU preparam-se para apresentar uma moção de rejeição de um governo de direita, António Costa irá na mesma onda e se houver disciplina de voto, Passos e Portas nem chegarão a aquecer o lugar. Importa aqui lembrar para memória futura que Carlos César foi eleito líder da bancada parlamentar do PS com 71 votos favoráveis num universo de 86 votantes, registando-se 5 votos contra e 9 abstenções e uma falta de comparência. Perante estes resultados poderá haver uma reedição do Queijo Limiano agora em versão rosa?

Se Costa viabilizar a moção de rejeição de Bloco e CDU andará a reboque e atirará irremediavelmente Portugal para o precipício. Para além disso será sempre um líder fraco, primeiro porque o seu partido não foi o mais votado e em segundo porque governará ao sabor da dupla Jerónimo/Martins, os seus “novos aliados” de esquerda.

Perante este cenário, o novo Presidente da República terá de marcar novo tira-teimas eleitoral, que se espera seja concludente, até ao final da Primavera.

Os resultados saídos destas últimas eleições deveriam espelhar maturidade e compromissos entre a dupla PSD/CDS e o PS. Em contrapartida tivemos posições extremadas que à crise económica apenas acrescentaram uma profunda instabilidade política.

2. Houve vários líderes europeus que na sua ascensão ao poder tiveram uma entrada de leão. O socialista Hollande foi o primeiro, mas cedo percebeu que tinha de inverter o sentido da marcha, para se posicionar ao lado Angela Merkel que, quer se goste ou não, é afinal quem manda misto tudo.

Os gregos Tsipras e Varoufakis tentaram incomodar a hegemonia da chanceler. A sua luta teve ampla cobertura mediática, mas acabaram por sucumbir perante as “ameaças” dos cortes nos apoios financeiros ditadas por Berlim e os silêncios da Rússia e da China, que entenderam por bem não patrocinar financeiramente a dívida grega. Tsipras e Varoufakis ainda sonharam em voltar ao dracma, mas perceberam que não tinham plano nem futuro fora da UE.

Arranjar uma solução governativa à la Syriza fará com que Portugal passe a ter uma imagem mais distante da Irlanda, estando mais próximo da Grécia, que é como quem diz do segundo resgate.

3. Almeida Henriques cumpriu dois anos de mandato à frente do Município, os últimos tempos têm demonstrado que quando chove mais do que a conta há obra que começa a faltar e a dificuldade no acesso aos fundos europeus não explica tudo.

Carlos Cunha é militante do CDS-PP de Viseu e deputado na Assembleia Municipal. Licenciado em Português/Francês pela Escola Superior de Educação de Viseu concluiu, em 2002, a sua Pós Graduação em Educação Especial no pólo de Viseu da Universidade Católica Portuguesa.

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