Gostava de vos ter visto cá

por Vitor Santos | 2015.03.05 - 12:17

 

Comemora-se no próximo dia 8 de março o Dia Internacional da Mulher. Seria só mais um domingo não fosse esta efemeridade e, este ano, associada a ser, muito provavelmente, o meu último jogo como treinador.

E que o que têm em comum estes dois factos? É que gostava de vos ter visto mais por cá.

Há anos que questiono porque não há mais mulheres espetadoras no desporto?! -mães e esposas não contam (acompanham os familiares). O desporto, assim como a vida, não é só de uma cor. É muito mais do que isso. A sua policromia consiste na alegria, na festa, na diversão, no convívio, no fazer dos jogos um tempo e um lugar de encontro. E as mulheres gostam disso. Sabem fazer isso.

Na prática desportiva o número tem aumentado nestes últimos anos. Hoje temos atletas, treinadoras, árbitras, fisioterapeutas, jornalistas e só não temos, salvo raras e boas exceções, dirigentes. É das poucas atividades em que a Mulher ainda não participa em número relevante. Elas que tão bem sabem gerir orçamentos, com pouco dinheiro, podiam ensinar muito – ao Homem, que o mundo não acaba hoje.

São bem-vindas e sem imposição de cotas. Portugal, onde o machismo ainda está muito enraizado, é um dos Países com mais mulheres que homens, e onde os cargos de chefias estão muito reservados ao Homem.

Enquanto atleta é nos desportos individuais que a Mulher tem um maior reconhecimento pelas suas performances, mas há muito que nas modalidades coletivas existe qualidade e em que a competição substituiu o lazer. Não se pode ignorar o trabalho e sacrifício que tantas jovens e mulheres fazem.

Não acredito que elas gostem de perder, de ver a sua equipa derrotada. A verdade é que também dão valor à competição em si – associada ao espetáculo, à organização, à festa e à cor. O Algarve Cup é mais uma prova disso.

Quem acompanha o desporto constata a existência de uma mulher com renovadas características: ágil, segura, confiante e possuidora da capacidade de enfrentar os desafios dos novos tempos, sem nunca perder a sua feminilidade. As mulheres não deixam de o ser por serem desportistas e a sociedade tem de se abrir para esta realidade.

Se à competição acrescentarmos a beleza, a sensualidade, a sensibilidade da Mulher o desporto fica muito mais moderno.

A mulher adepta é nos jogos da Seleção Nacional de futebol que marca presença em grande número participando na festa, vibrando com o jogo, chorando com a derrota, exultando com os golos e com as vitórias.

Elas – e não eles – quem tem dado um bom exemplo de como se estar no espetáculo-futebol!…

Os jogos da seleção deviam servir de exemplo para que quem “manda”, sabendo que o caminho que se trilha ao longo dos tempos é o da falência, do fraco espetáculo, do cinzentão monocromático, realizasse uma mudança de paradigmas. Será que vale mais haver apitos dourados, protagonismos saloios, popularistas?! Se é isto o importante… não contem com as Mulheres e suas famílias nos espetáculos desportivos.

Mas – porque há sempre um “mas”- sabemos que no futebol português dificilmente alguém aparece interessado no bem comum, na verdade desportiva.

Mas este não é um momento dedicado aos homens (a esses a quem tudo é permitido por “amor ao futebol”). É antes um tributo à Mulher, ao colorido com que cada uma pinta os estádios, quer seja interveniente direta, quer no apoio à seleção onde projetas as cores da bandeira portuguesa: o verde esperança, o amarelo sensível e o vermelho paixão!

O desporto é muito mais bonito e melhor com ELAS.

A todas vós os meus mais sinceros parabéns.

Gostava, mesmo, de vos ter visto por cá!

Vitor Santos nasceu em Viseu no ano de 1967. Concluiu o Curso de Comunicação Social no IPV. Conta com várias colaborações na Imprensa Regional. Foi diretor do Jornal O Derby.

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