GET2GATHER 2015

por José Carreira | 2015.05.02 - 12:23

 

 

A ONG Frankfurter Zukunftsrat[1] organizou, em Madrid, o programa europeu My Europe. Juntaram-se jovens de 16 países europeus, selecionados em função dos seus currículos, para debaterem os temas que mais os preocupam. Da reflexão que fizeram, retiraram diversas conclusões compiladas no documento final GET2GATHER 2015.

As principais preocupações centraram-se na educação, religião, extremismos e emprego. Todavia, a preocupação mais destacada foi a igualdade de género. Os jovens consideraram que a desigualdade entre homens e mulheres está presente em todas as situações da vida quotidiana. Relataram as suas experiências: “Vemos a discriminação de género no dia a dia. Inclusivamente a perseguição e o mau trato. Em casais de adolescentes, em amigas às quais os seus ex namorados não deixam em paz, em familiares…”

Uma realidade persistente que parece difícil de mudar. A desigualdade entre homens e mulheres mantém as mulheres numa posição de fragilidade em relação ao homem.

Recentemente, um estudo deu a conhecer a brecha salarial existente entre homemens e mulheres no desempenho das mesmas funções. Mas o mais grave, para mim, é perpetuarem-se os actos de violência doméstica que vítimam muitas mulheres que são violentadas, abusadas e mortas.

Aproveito para destacar e dar os parabéns à Associação Portuguesa de Apoio à Vítima ( APAV) pela recente campanha “HOME”[2], um catálogo para sensibilização sobre a violência doméstica. “O foco da campanha nos espaços comuns do interior de uma casa de família e em objectos do quotidiano chama a atenção para a proximidade do problema.”

Do encontro coordenado pelo alemão MANFRED POHL, diretor do “My Europe” e Presidente do Frankfurter Zukunftsrat, há três notas importantes com as quais concordo em absoluto: 1) As quotas para as mulheres na política e nas empresas não são a solução hoje em dia; 2) Não estão de acordo quanto à imitação, por parte das mulheres, das atitudes dos homens para poderem ascender; 3) A resposta está na educação.

A imitação é sempre pior do que o original. As quotas, ainda que possam ser consideradas como discriminação positiva, são inaceitáveis em pleno século XXI. A chave, para que a igualdade entre homens e mulheres seja uma realidade, está na educação. Com mais e melhor educação seremos capazes de construir uma sociedade mais justa. A lucidez demonstrada pelos jovens deixam-me esperançado num futuro melhor.

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[1] http://www.frankfurter-zukunftsrat.de

[2] http://www.apav.pt/catalogohome2015.pdf