Geração NoMo

por José Carreira | 2014.08.28 - 15:46

 

As mulheres têm um novo e bom argumento para não serem mães, está na moda. As mulheres do século XXI poderão assumir, sem quaisquer complexos, a sua vontade de não serem mães, algo “tradicionalmente” considerado contranatura.

Considero, indubitavelmente, que ser ou não ser mãe é uma escolha que a cada mulher diz respeito, ponto final!

Não tenho qualquer autoridade moral para fazer julgamentos de valor a este respeito, desde logo porque não tenho filhos, talvez faça parte da Geração NoFa (Not Father). Soa bem, gosto desta terminologia, sinto-me mais urbano, sofisticado, global, social. Afinal de contas, é sempre bom poder fazer parte de uma “tribo mediática”.

Vou, prometo, investigar quem são os famosos que poderão fazer parte dos NoFa. Já me sinto a fazer a próxima campanha da Nespresso. Afinal de contas, George Clooney assumiu em entrevista à revista alemã TV Movie, que não seria um “bom educador” e que, por isso, prefere ser “tio” dos seis filhos de Brad Pitt e Angelina Jolie…

A somar à Geração NoMo (Not Mothers), há as PANKS (Professional Aunts with No Kids),  as YUMMIES…

Vou tomar um Ristretto e pensar em siglas que possam enriquecer o nosso glossário. Aceitam-se sugestões. Não tenho Ristretto, tenho que tomar um Rosabaya, o bom sabor colombiano! Lembro-me instantaneamente da performance em palco da namorada do futebolista do Barcelona, Gerard Piqué, a famosa cantora Shakira, mas…ups…já tem um filho. Portanto, não tem lugar neste texto. Muitas famosas de Hollywood confessaram recentemente seu desejo de não serem mães e a imprensa internacional tem dado eco a essa ideia. Foi também publicado um livro intitulado Sem Filhos: 40 Razões Para Você Não Ter, da autoria de Corinne Maier.

Portugal poderá ser um bom país para a Geração NoMo (Not Mothers), a julgar pela baixa taxa de natalidade que as estatísticas nos mostram. Infelizmente, a diminuição do número de mulheres que querem ser mães poderá não ser resultado de uma opção apenas pessoal, mas sim social e económica. São cada vez mais as mulheres que não têm filhos, que o são mais tarde ou que se limitam a ter apenas um, como consequência das dificuldades económicas, da precariedade laboral, dos baixos salários, da crise do Estado Social, do desmoronar da “família”…

Ao degustar o café não me ocorreu qualquer designação para quem não tem filhos porque não tem dinheiro, emprego ou saúde. Mas já sei o que dizer aos vizinhos “grisalhos”, quando regressar à minha aldeia, após as férias em família com a minha sobrinha, “SOU UM NoFa!”

Talvez não lhes seja automaticamente inteligível, mas considerarão que sou um rapaz da moda, sem filhos, mas com uma sobrinha…nas férias…