FUTEBOL E LEITURA

por José Carreira | 2015.09.28 - 09:23

 

 

 

A FIFA (Federação Internacional de Futebol) é um caso claro de corrupção em entidade privada, que permitiu que indivíduos estrangeiros na Suíça fossem presos por ordem da polícia norte-americana. O ponto em comum é a lavagem de dinheiro. Fifa não é droga, mas precisa ocultar a origem do dinheiro, e por isso usa a lavagem” ( Cristiano Maronna, do IBCCRIM). Cristiano sublinha ainda que organizações terroristas como a Al Qaeda e o Estado Islâmico também adotam o mecanismo da lavagem de dinheiro.

O escritor italiano Roberto Salviano tem neste mundo, que cruza futebol; corrupção; branqueamento de capitais e crime organizado, um filão a explorar.

Haverá outros escritores credenciados para escrever sobre o assunto, mas  Salviano, autor de livros como ZeroZeroZero e Gomorra, que investigou e tornou públicas muitas das práticas da máfia italiana, parece-me a pessoa indicada. Não haverá muita diferença, quanto aos objetivos, entre a FIFA e a MÁFIA, dinheiro, poder, influencia sem olhar a meios, uns menos outros mais ortodoxos.

Nem tudo é mau no mundo da bola, também há relações interessantes e profícuas entre o futebol e a leitura. O Athletic Bilbao criou um Clube de Leitura e de 2 a 6 de novembro, Bilbao acolherá a VI Edição do Festival de Letras e Futebol, projeto da fundação que inclui desde teatro a encontros literários. O presidente do clube pretende que “Os futebolistas se impliquem, que sejam parte do projeto.”

Destaco duas iniciativas originais desenhadas e promovidas, no âmbito do projeto:

– Em 2014 distribuíram-se 60 000 contos sobre futebol no metro e nos autocarros da cidade. Os exemplares foram oferecidos às pessoas que iam a ler um livro (em versão impressa ou digital);

– Desafiam os adeptos do clube a sugerirem aos seus ídolos, por exemplo o presidente, o treinador ou o capitão de equipa, que livros deverão ler. Das leituras sugeridas, através das páginas web, escolherá um livro que lerá, num encontro aberto ao público que tem a leitura como protagonista.

Galder Reguera, responsável pela Responsabilidade Social Corporativa da fundação do clube, afirma que o que pretendem com este projeto é fazer o caminho ao contrário, sendo os adeptos que dizem o que devem ler os seus ídolos.  Reguera destaca outro ponto forte da iniciativa: “Muitas vezes a leitura é identificada como um ato solitário, como algo que fazes quando nãos tens mais opções, e nós queremos convertê-la em algo partilhado.”

Um bom exemplo que permite associar o futebol e a literatura positivamente.

Deixo também uma sugestão de leitura, o livro do jornalista Rui Miguel Tovar: Dicionário Sentimental de Futebol (Quetzal).