Frugalidade

por Rui Coutinho | 2014.06.19 - 16:24

 

 O período de permanência da Troika em Portugal impôs um novo conceito adoptado por várias famílias, que em muitos casos redundou numa recorrente frugalidade. As contas passaram a ser feitas com maior ajuste, os hábitos foram alterados e muitas das refeições feitas em casa passaram a contar com a inestimável colaboração da Bimby que atingiu em volume de vendas recorde em Portugal e mereceu destaque noticioso internacional.

As recentes notícias do Eurostat determinaram a interrupção do crescimento económico registado durante o ano de 2013. No primeiro trimestre deste ano, as exportações abrandaram, muito por culpa das interrupções verificadas na Autoeuropa e na refinaria da Galp. No entanto, no mês de Abril o indicador de clima económico em Portugal atingiu o seu valor mais elevado desde Outubro de 2010. Tendo por base a actual situação tumultuosa que se vive com a presumível reposição ou não dos salários e pensões, presume-se que o possível consumo familiar tenderá a aumentar ou a retrair-se em face dos futuros cenários a delinear. Nos primeiros meses de 2014, o consumo dos portugueses apresentou um aumento de 0,5%, em oposição ao decréscimo de 1,5% registado em 2013.

Atentos a esta constante mutação no consumo, as empresas procuram entender e posicionarem-se no mercado, auscultando-o com regularidade. Num recente estudo divulgado pelo Reputation Institute, envolvendo 40 mil cidadãos e 170 empresas a actuar em Portugal, as firmas Google, Delta e a Nestlé são as que atingem as melhores pontuações. O mesmo estudo dá ainda conta da preferência dos portugueses pela produção nacional com um destaque particular para a Delta, Renova, Sumol Compal, Luso, Vista Alegre e RFM, incluindo ainda o Pingo Doce, a Super Bock e a TAP.

Em relação ao retalho, o IKEA foi a empresa mais valorizada pelos portugueses. Nos bens de consumo, o destaque recaiu na Renova e L’Oréal. Quanto às cadeias de restauração, os vencedores foram a H3, McDonald’s e a Telepizza.

A maioria dos portugueses (73%) defendem que a boa reputação das marcas é decisiva no actuo da aquisição ou no seu aconselhamento e 52% dos consumidores manifestam vontade de investir nas dez empresas com melhor reputação.

A ser assim talvez seja conveniente saber o que os novos episódios económicos e constitucionais nos reservam para saber como nos poderemos posicionar com maior ou menor temperança a vários níveis.

 

 

 

Técnico Superior a exercer funções na Escola Superior Agraria de Viseu (ESAV) com ligações a projectos agrícolas e agro-alimentares é Bacharel em Engenharia Agro-Alimentar pela ESAV, Licenciado em Enologia pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) Mestre em Biotecnologia e Qualidade Alimentar pela UTAD e com o Curso de Doctorado em Bromatologia e Nutrição pela Universidade de Salamanca.

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