Formato low cost

por Rui Coutinho | 2014.01.31 - 12:45

O mês de Janeiro revelou para muitos portugueses no activo ou já aposentados uma realidade há muito anunciada. Os novos vencimentos e pensões na feição low cost. Isto é, vencimentos mais baixos, difíceis de aceitar pela generalidade dos cidadãos, incluindo o tribunal constitucional que provavelmente ainda se irá pronunciar sobre o assunto.

Descortinado este cenário que para muitos irá redundar em cortes e contenções a fazer na aquisição de bens essenciais ou não, os diferentes agentes económicos têm procurado de modo incansável ajustar ou  reajustar os seus custos de produção, promovendo ainda, e de modo continuado, campanhas de fomento à aquisição de bens. No caso concreto das promoções, estas tornaram-se uma realidade bastante palpável e que talvez ainda se irão adensar, dada a míngua e a ginástica financeira que muitas famílias terão de desenvolver.

No campo alimentar, várias entidades têm vindo a publicar estudos e a desenvolver iniciativas para amenizar a situação. Nesses trabalhos, são apontadas linhas e caminhos a seguir na busca de uma alimentação mais saudável e nutricional, procurando ainda promover a contenção de custos ou a sua redução. No estudo divulgado pela Direcção Geral de Saúde (DGS), ” Portugal: alimentação saudável em números 2013?”, uma das conclusões mais marcantes resulta no facto de 3 em cada 10 pessoas deixarem de comer alimentos considerados essenciais por dificuldades económicas. Em 2014 será que o valor vai aumentar? Esperemos que não.

Um dos outros aspectos mencionados no referido estudo refere que sempre que o rendimento das famílias baixa a obesidade aumenta na mesma proporção. A ser assim, façam as contas e verifiquem o possível aumento de peso que poderão alcançar. Tendo por base a recente informação, os nutricionistas provavelmente ver-se-ão obrigados a reajustar os dados para o cálculo do índice de massa corporal (IMC) recorrendo para o efeito às tabelas de retenção de IRS de 2014!! Uma nova finalidade das taxas de IRS desconhecida por muitos!!!

Em Portugal existem já 1 milhão de obesos e 3.5 milhões são considerados pré-obesos.

As várias campanhas desenvolvidas pela DGS, pela Ordem dos Nutricionistas e DECO apontam para a adopção de um conjunto de regras e procedimentos que passam por evitar comer diariamente o designado “lixo alimentar”, alimentos de elevado valor energético (refrigerantes, salgados, batatas fritas, bolos, folhados, entre outros), restringindo-o aos momentos festivos, bem como absterem-se de sair de casa sem tomar o pequeno-almoço e ainda desenvolver lanches e refeições equilibradas, instigando o consumo de sopas e fruta às refeições, poupando deste modo algum dinheiro.

A ser assim, será que em tudo é possível adoptar o formato low cost?

Técnico Superior a exercer funções na Escola Superior Agraria de Viseu (ESAV) com ligações a projectos agrícolas e agro-alimentares é Bacharel em Engenharia Agro-Alimentar pela ESAV, Licenciado em Enologia pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) Mestre em Biotecnologia e Qualidade Alimentar pela UTAD e com o Curso de Doctorado em Bromatologia e Nutrição pela Universidade de Salamanca.

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