Férias escolares e a Academia Dão Petiz

por Carlos Cunha | 2017.07.21 - 18:19

 

Em altura de férias escolares, muitos pais vêem-se atrapalhados para encontrar um local/instituição onde os seus filhos possam ter acesso a programas ocupacionais com alguma qualidade e diversidade.

Em tempos idos, a autarquia viseense teve a ideia de criar aquilo a que se pode chamar uma espécie de campo de férias infanto-juvenil, conhecido por Academia Dão Petiz. Tratava-se, de acordo com o sítio academiadaopetiz.pt, de um serviço educativo disponibilizado pelo Município, que desenvolvia programas educativos práticos para crianças, ligado ao ciclo da terra.

Na verdade, este programa ocupacional extra curricular, desenvolvido prioritariamente em tempo de interrupções letivas, passou a ter estes atributos depois de alguma celeuma, em que os mal intencionados acusavam Almeida Henriques de pretender incentivar nos petizes o gosto pelo preciso néctar do Dão produzido em certas quintas do concelho.

Depois da polémica, o projeto foi reformulado e apesar de ser uma Academia Dão Petiz, o foco deixou de ser o conhecimento das castas tinta roriz, jaen ou alfrocheiro, pretendendo-se antes que a pequenada andasse solta pelo campo aprendendo que o leite vem das ovelhas, das vacas e das cabras e não do pacote tetra pak ou da garrafa que a mãe compra no supermercado.

O certo é que o Programa da Academia Dão Petiz deu, como habitual, aquando do seu anúncio, umas valentes páginas na comunicação social, mais umas publicações nas redes sociais e umas inevitáveis entrevistas do nosso presidente Almeida Henriques a enaltecer o caráter pedagógico de tão extraordinária atividade e das suas caraterísticas benfazejas ao desenvolvimento e à saúde dos nossos petizes, que assim andavam uns dias pelas quintas sem chatearem o juízo aos pais.

Má língua e ironia à parte, podemos dizer que o programa tinha algumas virtudes, agora concordará comigo o estimado leitor se ainda tiver paciência para me estar a ler, que os criativos de Almeida Henriques borraram a escrita toda na escolha do nome: Academia Dão Petiz, como se se tratasse de uma mini confraria do Dão, em que os pequenitos, depois de um dia em cheio de correrias pelas quintas, lá ergueriam a sua taça para brindar à saúde do criador de tão genial ideia. Já estou a imaginar Almeida Henriques a olhar para aquelas enérgicas criaturas com um ar ternurento e embevecido, distribuindo, magnânimo, brindes e viriatos made in Viseu.

Em suma, aquele que podia ter sido um bom programa ocupacional de férias para os mais pequenos não o foi, somando-se assim mais um inconseguimento na contabilidade deste executivo.

 Suavecito e despacito, como diz a canção da moda deste verão, Almeida Henriques e a sua competente equipa de criativos, que é tão boa a criar como a fazer desaparecer, lá foi retirando os holofotes sobre a Academia Dão Petiz até a deixar completamente sob indignidade crepuscular.

Perderam as crianças do concelho e os seus pais, pois se houvesse mais diligência na reformulação de todo o programa, muitas das crianças viseenses teriam, nestas férias de verão, à sua disposição um programa ocupacional de tempos livres, a um custo moderado e acessível às crianças mais desfavorecidas, cujos pais não têm possibilidades financeiras de lhes proporcionar estes “mimos”, patrocinado pelo Município viseense.

Esta seria uma boa maneira de aplicar o dinheiro dos impostos municipais que os viseenses pagam.

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Carlos Cunha é militante do CDS-PP de Viseu e deputado na Assembleia Municipal. Licenciado em Português/Francês pela Escola Superior de Educação de Viseu concluiu, em 2002, a sua Pós Graduação em Educação Especial no pólo de Viseu da Universidade Católica Portuguesa.

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