Feira de S. Mateus: edição 624

por Carlos Cunha | 2016.09.06 - 15:13

 

A cinco dias de terminar a sua 624 edição pode-se efetuar um balanço sobre a Feira de S. Mateus. O recuar do início do certame, para os primeiros dias do mês de Agosto, pôs fora da feira o seu santo padroeiro, enquanto Viriato, ano após ano, vai vendo a sua influência aumentar e até a ideia de ser o guerreiro lusitano a dar nome à feira já deve ter estado mais longínqua.

Esta antecipação do começo da Feira pode significar uma adaptação deste secular evento a uma nova realidade e argumentos para a sua defesa não faltam: a começar pelo tempo, que é sempre mais quente em agosto, até aos nossos conterrâneos emigrantes, que regressam em massa para um merecido descanso junto da família que por cá ficou. Não tenhamos ilusões, pois, na primeira quinzena do mês são de longe os principais visitantes da Feira. Para o comprovarmos basta perdemos um pouco de tempo à procura de estacionamento nos diferentes parques e rapidamente constatamos que em cada dezena de carros, meia dúzia ou mais têm matrícula estrangeira. Mas, não é só a Feira de S. Mateus que é procurada pelos nossos emigrantes, também a anémica feira semanal ganha novo impulso com a sua chegada e o volume de negócios, nesse mês, dispara em alta, apenas encontrando rival à altura em dezembro.

Mas voltando à presente edição da Feira de S. Mateus, merece nota muito positiva a organização do espaço. Está visto que o regresso da Avenida do Picadeiro e a instalação do palco principal na mesma é uma aposta mais do que ganha e como tal para manter. A estrutura instalada na Porta de Viriato merece igualmente destaque, visto tratar-se de um espaço esteticamente apelativo, mas que não se encontra devidamente aproveitado. A segurança continua a ser reforçada ao nível das infraestruturas com tudo o que é cabos e fios a ficar soterrado. É claro que nem tudo é perfeito, pois, apesar dos avisos e da melhoria da sinalização continuam a ocorrer quedas na linha do funicular, das quais têm resultado arreliadoras mazelas físicas, uma situação a rever com urgência pela organização.

No certame deste ano, houve ainda uma significativa melhoria ao nível das instalações sanitárias: são em maior número, modernas e com melhor higiene não tendo comparação com os sanitários móveis disponibilizados em anteriores certames.

A ressurreição do Museu da Eletricidade, com a implantação da loja gourmet da fábrica das enguias, veio conferir uma nota de requinte a um espaço quase sempre esquecido. O fator inovação ficou destinado às viagens de balão de ar quente e quem sabe se para o ano a organização não decide aplicar a sua criatividade no rio Pavia, tornando-o numa das principais atrações.

Não sei se os mais de trinta dias de Feira serão suficientes para atingir o milhão de visitantes, importa antes quantificar os pagantes e procurar perceber em que eventos se pode futuramente promover a Feira para que esta assuma uma maior visibilidade nacional e Internacional, afirmando-se como o maior certame turístico da região Centro. E já que falamos de números, é fundamental que o saldo final seja positivo, de forma credibilizar, desde o início, a equipa de gestão da Viseu Marca cujo objetivo final passará sempre pela autossustentabilidade financeira.

Deixei propositadamente para o fim a apreciação sobre o cartaz de espetáculos. Para mim a palavra que melhor o define é a transversalidade, havendo um misto de consagrados como Marisa, Rui Veloso, Sérgio Godinho e Jorge Palma até novos artistas em ascensão como Dengaz, Dama, Agir, David Carreira ou Diogo Piçarra…

Assisti a alguns destes espetáculos, falta-me ver a dupla Palma e Godinho de quem sou confesso admirador, mais do Palma do que do Godinho, e fiquei de alma cheia com Marisa, até agora o melhor de todos. Tenho de deixar igualmente uma palavra de apreço para aquele que é presentemente o melhor grupo de música viseense que são os Hi-Fi, que ofereceram a quem assistiu um magnífico espetáculo musical e de dança. Estes pelas provas já dadas, ao longo dos vários anos de carreira que levam, talvez mereçam maior destaque no porvir.

Por fim, entre os concertos de consagrados e de debutantes, o que mais me sensibilizou foi o público viseense, sempre disponível para fazer a festa e incrivelmente generoso e cúmplice com os artistas. Consagrados ou mais recentes nestas andanças saíram, no final das suas atuações absolutamente regalados e rendidos ao magnífico público beirão, simplesmente incomparável…

Carlos Cunha é militante do CDS-PP de Viseu e deputado na Assembleia Municipal. Licenciado em Português/Francês pela Escola Superior de Educação de Viseu concluiu, em 2002, a sua Pós Graduação em Educação Especial no pólo de Viseu da Universidade Católica Portuguesa.

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