Fecundidade em Portugal

por José Carreira | 2014.07.08 - 14:24

 

 

O Instituto Nacional de Estatística realizou, em 2013, o Inquérito à Fecundidade, cujo principal objetivo foi obter informação que permitissecaracterizar os padrões de fecundidade em Portugal, bem como contribuirpara a compreensão das atitudes, valores e fatores socioeconómicos queinfluenciam a decisão de ter ou não filhos.

Em média, em 2013, as pessoas têm 1 filho. A maioria das pessoas dos 18 aos 29 anos não tem filhos e cerca de 40% das pessoas dos 30 aos 39 anos de idade têm 1 filho. Quando se pergunta qual o número de filhos que gostariam de ter, a maioria indica 2 filhos. Quando questionados quanto às motivações para ter filhos, as respostas são genericamente as que se seguem: “Ver os filhos crescerem e desenvolverem-se”; “Realização pessoal”; “Ver a família aumentar”.

Quando se procura conhecer os motivos para não ter filhos, destacam-se dois: “Custos financeiros associados a ter filhos” (Mulheres – 67% / Homens – 68%) e “Dificuldade para conseguir emprego” (Mulheres – 48% / Homens – 59%.).

A crise financeira que assola o nosso país e a alta taxa de desemprego são dois vetores que contribuem fortemente para a diminuição do número de nascimentos que, não sendo um problema recente, tem vindo a seguir uma tendência de agravamento. Este fenómeno associado ao “agrisalhamento” da população provoca desequilíbrios de difícil resolução, à cabeça surge a sustentabilidade da Segurança Social e o lento, mas progressivo, desmoronar do Estado Social.

Urge um debate sério que possa analisar os fundamentos do Estado Social e que possibilite reformular os seus pilares para que possa dar uma resposta competente a uma sociedade que se transformou.

Resulta do inquérito que os cidadãos portugueses, quando se trata de possíveis medidas de incentivo à natalidade, apontam duas medidas fulcrais: “Aumentar os rendimentos das famílias com filhos” e “Facilitar as condições de trabalho para quem tem filhos, sem perder regalias”.