Falta cultura desportiva

por Vitor Santos | 2016.04.29 - 17:30

 

 

Todas as semanas surgem relatos de comportamentos reprováveis na prática desportiva de crianças e jovens. Apesar de todos os esforços, os incidentes de violência no desporto infanto-juvenil ocorrem com muita frequência. A responsabilidade para lidar com estes incidentes é do Clube, mas os pais devem entender, acompanhar e apoiar o processo, denunciando a situação aos responsáveis pela segurança e nunca entrar em confrontos.

Estes comportamentos “desviantes” em recintos desportivos têm os adultos como protagonistas, e em alguns casos (talvez a maioria deles), protagonizados pelos familiares dos atletas envolvidos têm de ser erradicados. São um fator de constrangimento à educação/ética desportiva e ao desenvolvimento desportivo.

Nos tempos que correm a participação dos pais nas atividades dos filhos é frequente e é feita a todos os níveis: escolar, social, desportiva ou lúdica. Tanto os pais como os filhos devem-se sentir agradados com a presença de ambos de forma positiva e serem sempre uma mais-valia e não motivo de «stress». Uma participação negativa, mesmo pontual, tem sempre mais consequências que muitas positivas.

No que respeita à escola têm havido muitos e variados estudos. Podemos aproveitar muitos dos resultados desses estudos para a prática desportiva. Os intervenientes e as funções são iguais: aluno=atleta; professor=formador/treinador; classe/turma=equipa e a família.

Dar especial atenção à importância da prática desportiva, não só do ponto de vista da promoção de hábitos de vida e de crescimento saudáveis, mas sobretudo da perspetiva da criação de um ambiente positivo no desporto, onde os valores desportivos dentro das quatro linhas estejam sempre acima dos resultados finais da competição. É comum vermos nos recintos desportivos um comportamento menos próprio dos pais, quer criticando o treinador, dirigentes ou ameaçando os adversários e árbitros. Esta não é certamente a melhor forma de transmitir valores aos atletas, que observam muitas das vezes estas atitudes com vergonha e se transfiguram. A participação deve ser feita no todo, no incentivo à equipa, ao desportivismo.

Mas o que assistimos semanalmente é falta de civismo e isso assusta. Por vezes, toma mesmo a forma de comportamento criminoso. E à conta de tanto encolher os ombros e fechar os olhos, permitimos situações de bradar aos céus. Os pais são inimigos dos próprios filhos pela conduta que têm. Inacreditável!

Se aos pais desagrada ficarem embaraçados pelo comportamento dos seus filhos, também aos atletas embaraça o comportamento público dos seus pais quando estes dão «espetáculo».

Relembrar ainda o papel fundamental que os Pais devem desempenhar junto das crianças, incutindo-lhes um espírito de fair play e de respeito pelos colegas, adversários, árbitros e treinadores, e encorajando-os a seguir um código de conduta que os leve a ter prazer na prática desportiva em si.

O «triângulo desportivo» formado pelo treinador, pelos atletas e pelos pais é inevitável na prática desportiva das crianças e jovens. Mas é acima de tudo desejável.

Os pais devem ser os melhores adeptos da equipa, dar um bom exemplo num relacionamento amigável com os adversários, não devem pressionar ou intrometer-se, mas aplaudir, incentivar, realçar o prazer de fazer desporto e a alegria que é nele participar. Nunca interferir no trabalho do treinador ou alimentar, com elogios fáceis, o aparecimento de atitudes de vaidade, de vedetismos.

Ao estar presente na atividade desportiva do seu filho está a contribuir para uma formação cuidada e saudável. A forma como o fazem é que vai fazer toda a diferença. Sejam responsáveis.

 

 

Vitor Santos nasceu em Viseu no ano de 1967. Concluiu o Curso de Comunicação Social no IPV. Conta com várias colaborações na Imprensa Regional. Foi diretor do Jornal O Derby.

Pub