Falar sobre cafés…

por Cílio Correia | 2017.02.04 - 15:33

Eis o post da praxe. Se tiverem pachorra para ler ficam a saber que falar sobre cafés dá pano para mangas. Nem sei por onde começar.

Os cafés nas aldeias eram espaços privilegiados de sociabilidade. Os homens quando entravam num café e usavam chapéu, descobriam-se. Era lugar de culto. Não se entrava no café com roupa de trabalho, porque ali só ia gente com sapato de lustro. O café não era espaço plural, era lugar de gente fina. As senhoras faziam toilette. Ir ao café não era para todos.

As jovens que os frequentavam não era vistas como sendo de bom porte. Demasiado levianas e atrevidas para o recato exigido. Eram muito vividas e sabem do que estou a falar. Menina prendada, casadoira, ia com a mãe, a madrinha ou a tia, nunca com o namorado a não ser quando a coisa já era oficializada.

No café não havia lugar a venda de vinho ao copo. Nada. Vinho ao copo só mesmo nas tabernas. E então se era vinho tinto, nem pensar. No café vendia-se vinho engarrafado. Mas já cerveja podia-se beber à vontade.

Continuo a ser um idealista, bem sei. Eu percebo pouco de certos meandros, e às vezes dá jeito fazer de burro mas tenho visto especialistas em bizarrias espalharem-se ao comprido e aterrar no sobrado em voo picado, levantar-se, sacudir o pó das calças, dar um arranjo no casaco, sacudir as mãos e ficar a olhar para trás, mais para ver se alguém os topou, como se tivessem sido vítimas de rasteira. Não foram. Tropeçaram nos atilhos.

Num mundo ideal não seriam precisos tantos cuidados. Desculpem, há alguém a pensar que vivemos num mundo ideal?!… Mas pronto, sou eu a dizer e mais ninguém. Esqueçam.

Não entendo a vossa surpresa. Isto é um enredo de novela. No final, quem se lixa é o mexilhão.

Estão a olhar para onde?!… Para hoje já chega.