Executivo também vira costas às aldeias…

por Fernando Figueiredo | 2019.04.22 - 12:00

Depois das amêndoas e ovos da Páscoa, do pão-de-ló e dos folares que fizeram parte da mesa de cada casa e família que se reuniu na aldeia para receber o Compasso – que é a visita do padre para bênção do lar e dos seus habitantes, e que representa a entrada de Jesus Cristo no lar, para quem não acompanha estas coisas – é tempo do regresso à rotina da escola e do trabalho. A aldeia lá ficou serena e abandonada até às férias de Verão em que se anima com a chegada dos emigrantes e as festas dos Santos ou o regresso dos filhos e dos alfacinhas por alturas do Natal.

Quando os governos começaram a fechar escolas começou também a morte lenta destes espaços rurais e rapidamente no concelho também o discurso de “devolver o Rossio às aldeias” foi metido na gaveta. Pese toda a propaganda dos milhões de euros de investimentos concretizados através da celebração de contratos-programa com as Juntas de Freguesia, da política municipal de descentralização através da celebração de acordos de execução e protocolos de delegação de competência, em competências como a manutenção de espaços verdes, a limpeza de vias e de espaços públicos, as reparações e manutenção de escolas, a manutenção de polidesportivos e percursos pedestres ou de manutenção da rede de fontanários entre outros o facto é que as aldeias desapareceram do discurso politico.

Das muitas promessas de criação de “áreas de reabilitação urbana” em freguesias periurbanas e rurais ou à criação de espaços de incubação empresarial de base rural, passando pela incompetente execução do MUV com o serviço Telebus só existente no caderno de encargos, da política fiscal amiga das freguesias com fiscalidade municipal zero nas operações de reabilitação de imóveis de habitação nas Freguesias Rurais ou ao programa local “Mercado de Produtores”, para a valorização da produção local de pequena e média escala, dos serviços de proximidade: os “Espaços de Cidadão”, com serviços desmaterializados da Administração Central e do Município, designadamente no setor do Urbanismo ou à cereja em cima do bolo da escola de música em cada freguesia tudo isso faz parte do foguetório do palavreado político do Rossio.

Na prática as aldeias deixaram de estar na preocupação do actual executivo mais virado para os espaços mediáticos do Correio da Manhã do que para os problemas reais das pessoas.

Até mesmo alguns dos presidentes de junta, em especial aqueles a quem não cabe um lugar por acumulação numa qualquer direcção de serviços da autarquia, já se prestam a manifestar-se contra a política seguida. Não fora as páginas pagas no Diário Regional e nem aí teriam voz para apelar ao apoio às suas políticas e solidariedade para com os seus problemas na freguesia. A prova provada desta contestação é o facto de até as reuniões descentralizadas da autarquia que se realizam nas juntas de freguesia terem deixado de acontecer.

Do Viseu Primeiro às Aldeias Depois foi um instante, bastou trocar Fernando Ruas por Almeida Henriques.

Fernando Figueiredo

(Foto DR)

Forjado na Beira Alta, aos 56 anos dá-se por bem casado e aprecia a companhia de três filhos, dois ainda na fase de espalhar magia a toda a hora; em família dá-se como feliz, apenas por o fazerem feliz. Como os duros estudou na Academia Militar, que não é para meninos e na época em que ainda se viajava de pé no comboio mas teve ainda tempo para queimar as pestanas em Gestão de Recursos Humanos. 36 anos “militarizado” vê-se agora na reforma a procurar ser “civilizado”. Em termos profissionais esteve no Iraque e voltou para contar, também esteve em Timor onde bebeu água de coco e visitou Jaco, erro fatal que lhe deixou o coração preso nas valorosas gentes timorenses e nas paisagens únicas do País que ajudou a ver nascer independente já no Séc XXI. Nos tempos livre actualiza o blog mais lido e odiado do delta do Dão, o Viseu Sra da Beira, e ainda escreve textos para jornais mas, poucos o lêem. Homem sem grande preocupação em fazer amigos, escreve o que entende sobre quem não consegue entender. Tais liberdades já lhe valeram um par de processos em tribunal, sem nunca se ter declarado Charlie. A genética deixou-o sem um único cabelo mas está careca de saber que os valores do trabalho, da honestidade e da amizade são o maior legado que o pai lhe deixou. Benfiquista moderado, gosta mesmo é de um bom jantar na companhia dos melhores amigos. Agora como empresário e homem de negócios só aceita de lucro o necessário para viver e distribuir por outros e de comissão a 100% a ética, a responsabilidade e o profissionalismo. É garantidamente mais bonito ao vivo que em foto.

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