Estacionamento portajado

por Carlos Cunha | 2015.08.11 - 07:22

 

 

            Os responsáveis do Palácio do Gelo decidiram que a partir do dia 1 de agosto o estacionamento no interior do centro comercial passaria a ser pago, o que, em boa verdade, constitui um enorme constrangimento para clientes e trabalhadores.

Não me compete julgar a assertividade da medida agora implementada, todavia, enquanto frequentador do espaço comercial terei de repensar alguns hábitos. Certamente, irei restringir as minhas idas ao Palácio do Gelo, permanecendo apenas o tempo necessário para realizar as minhas compras, enquanto que, antigamente, sem o relógio do estacionamento a contar, deambularia descontraidamente a ver montras, ou ficaria tranquilamente a ler o jornal, acabando por lanchar, jantar ou até mesmo ir ao cinema.

Tal como eu haverá mais gente a racionalizar e a mudar os seus hábitos de consumo e quem perde são obviamente os lojistas.

No entanto, também acredito que a gerência está pouco preocupada com isso, porque sabe que nos meses de inverno, quando o frio e a chuva começarem a apertar, tanto o espaço comercial como o parque de estacionamento voltarão a estar repletos.

Agora imaginem se a nossa autarquia andasse necessitada de dinheiro como de pão para a boca tal como acontece em alguns municípios próximos ou então tivesse gula idêntica à de quem dirige o principal espaço comercial da cidade e do distrito?

Uma solução fácil seria a de “regular o fluxo de trânsito nas imediações do Palácio do Gelo, de modo a facilitar a circulação naquelas artérias da cidade”. Traduzindo do politiquês tal significaria que a autarquia iria ceder à exploração de privados o espaço de estacionamento, o que implicaria que os viseenses se chegassem à frente na hora de parquear o automóvel.

Se assim procedesse o Município viseense seria fortemente criticado, pois, estaria a pôr em risco a manutenção de umas centenas de postos de trabalho e a contribuir com a sua ganância para a extinção da principal “galinha dos ovos de ouro” do grande comércio local.

Não estará a gerência do Palácio do Gelo a dar um primeiro passo para afugentar uns quantos clientes?

 

Carlos Cunha é militante do CDS-PP de Viseu e deputado na Assembleia Municipal. Licenciado em Português/Francês pela Escola Superior de Educação de Viseu concluiu, em 2002, a sua Pós Graduação em Educação Especial no pólo de Viseu da Universidade Católica Portuguesa.

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