Esta sexta-feira à noite…

por Eme João | 2014.11.23 - 13:56

Independentemente do cidadão José Socrates ser ou não culpado, é como qualquer outro presumivelmente inocente até prova em contrário. Em qualquer estado de direito democrático, a justiça deve sempre presumir a inocência de qualquer arguido. Mas o que se passou na sexta-feira à noite, é muito mas muito grave e preocupante. Quando a acusação de um qualquer processo, chama cadeias de televisão, para cobrir a detenção de um cidadão, quando tenta mediaticamente, induzir a formação de juízos de valor, algo neste país está muito pior do que pensávamos. Quando a própria justiça quebra as suas regras, infringido o segredo de justiça, está em causa o regime.

Penso que todos nós, cidadãos atentos, que obviamente não faremos juízos de valor e presumimos a priori a inocência deste ou qualquer outro arguido, aguardando e desejando a celeridade do processo, não devemos deixar de nos interrogar, de como e do porquê, de um caso com a gravidade deste, chega em primeira mão a dois jornais populistas.

Outra questão que levanto, tem a ver com o sigilo bancário. Todos nos lembramos há bem pouco tempo, do caso Tecnoforma e da falta de memória do primeiro ministro. Na altura, sugeriu-se o levantamentento do sigilo bancário, que não foi aceite.

Admiro-me agora, como este foi levantado em relação ao cidadão José Socrates, chegando em primeira mão aos tais ditos jornais.

Para além de desejar como qualquer outra pessoa, que este processo se desenrole com a celeridade que se impõe, que a justiça seja obviamente imparcial, e não caia na mão de justiçeiras ou justiçeiros, espero que o estado de direito democrático o seja mesmo.

Nasceu em Lisboa em 31/10/1966. Estudou psicologia no Ispa. Trabalha actualmente no ISS.

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