Esta guerra tão mortal…

por Eme João | 2014.03.27 - 13:52

Nunca a frase de Karl Marx “tudo o que é sólido se dissolve no ar”, foi tão verdadeira como nos dias de hoje. Após a segunda grande guerra, a Europa varrida pela destruição teve de reconstruir-se, erguer-se no meio de ruínas. Hoje, quase não acreditamos que uma guerra dessa dimensão pudesse voltar a atingir-nos. Aliás, uma guerra que utilizasse instrumentos bélicos muito mais sofisticados que os do passado século, teria custos incomportáveis. Então, os donos do planeta, a quem uma guerra daria imenso jeito, tiveram a ideia brilhante de destruir uma boa parte da população mundial, sem estragos materiais. Para estes, isto é ouro sobre azul. Declaram-nos uma guerra silenciosamente mortal. Atacam todos os direitos que tínhamos. Aos que ainda trabalham, retiram-lhes vencimento. Aos reformados e pensionistas, retiram-lhes a possibilidade de terminar uma vida com a dignidade que merecem. Aos jovens roubam-lhe descaradamente o futuro. Depois culpam a crise. A crise por eles inventada de forma perversa. Mas tudo isto será apenas causado pela ganância, pela sede de poder, por qualquer outra atitude sádica ou mórbida? Não me parece. Estes seres, que controlam praticamente tudo, fazem-no certamente por medo. Eles são uma minoria e estão sós. Dêem-lhes a vida de um comum mortal como nós, por um mês e nem uma semana sobreviveriam. O poder que têm não é inato, foi adquirido. Portanto, esse poder não é assim tão sólido quanto aparenta. Um dia também se dissolverá no ar.

Nasceu em Lisboa em 31/10/1966. Estudou psicologia no Ispa. Trabalha actualmente no ISS.

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