Esponjas e panos de limpeza

por Rui Coutinho | 2015.11.02 - 16:31

 

 Empossado o XX governo constitucional, é agora o momento da apresentação do programa de governo da coligação que, em termos organizacionais, muito se assemelha ao proposto pelo PS. Do muito que até à data já foi narrado, e estando a coligação numa condição minoritária, a sua aprovação de per si parece uma miragem. Para alguns, o seu chumbo é dado como certo e conjecturam-se já novos cenários. Assim, o requintado acordo agora a marinar à esquerda terá de ser escrupulosamente revelado a todos os portugueses e muito bem explicado às diferentes instituições da UE e aos mercados especulativos.

Tendo por base a inegável fragilidade económica em que nos encontramos, e em face do que se tem vindo a prometer, a ala mais à esquerda terá forçosamente de fazer muitas cedências e deixar cair por terra muitos dos seus intocáveis ditames, fazendo um flique-flaque à retaguarda. Para muitos, o BE e a CDU têm neste momento a derradeira oportunidade de demostrarem o seu valor de uma forma construtiva, cabendo ao PS arrear, estribar e condimentar com o sal e a pimenta necessários um prato que se deseja apetitoso, saboroso qb e viável de servir a todos mas que, à posteriori, não cause azia. Trata-se de uma verdadeira prova de fogo para todos estes partidos. No caso de essa epopeia não atingir as metas desejadas, estes partidos passarão a pernoitar descridibilizados e serão reduzidos a uma modesta amostra ou mesmo extintos. Assim, nesta fase muito ainda estará por apurar, limpar e desinfectar.

Em termos alimentares, as esponjas e os panos de limpeza utilizados diariamente na cozinha, embora possam sugestionar um evidente estado de limpeza, constituem em muitos dos casos os objectos mais sujos ai existentes. As esponjas e os panos são, por norma, acomodados junto das cubas de lavagem, um local com elevada humidade, propício ao desenvolvimento e manutenção de microrganismos. Estes preciosos utensílios de que nos socorremos com elevada frequência podem constituir uma fonte de acumulação de microrganismos patogénicos (Salmonella, Campylobacter, E, coli, Staphylococcus aureus). Chegados a este ponto, e atestados estes factos em inúmeros trabalhos cientificos, importa referir e descrever o conjunto de procedimentos a adoptar para a sua redução e eliminação.

Testes realizados no microondas durante 1 minuto permitem reduzir em 99% as bactérias e fungos nas esponjas. A subemerção em soluções de cloro (lixívia) durante 30 segundos elimina também a carga microbiana. A estes procedimentos, poderemos ainda juntar a necessidade de uma renovação periódica ou rotação com elevada frequência e, sempre que possível, a sua manutenção num estado seco. No que diz respeito aos restantes panos (mãos, louça, vidro, bancadas…), a medida mais ajustada e adequada é a sua definição e separação para distintos fins, evitando uma mistura e utilização indiferenciadas. A acrescentar a todas estas medidas, é indispensável que os manipuladores lavem com a devida abundância as maõs e os utensílios onde estão a preparar as refeições, evitando a acumulação de restos e sujidades.

Em termos alimentares, e no que concerne à limpeza e desinfecção destes utensílios, aqui ficam algumas dicas muito fáceis de aplicar e de elevada eficácia. Quanto aos restantes cenários, ficamos a aguardar que as “esponjas” e os “panos de limpeza” a passar na actual situação conduzam a acontecimentos clarividentes, benévolos e fundamentalmente racionais.

 

 

 

 

 

Técnico Superior a exercer funções na Escola Superior Agraria de Viseu (ESAV) com ligações a projectos agrícolas e agro-alimentares é Bacharel em Engenharia Agro-Alimentar pela ESAV, Licenciado em Enologia pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) Mestre em Biotecnologia e Qualidade Alimentar pela UTAD e com o Curso de Doctorado em Bromatologia e Nutrição pela Universidade de Salamanca.

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