Escribas do regime

por PN | 2016.12.27 - 09:39

 

 

Ninguém ignora que o Jornal de Angola é um mero louvaminheiro oficial do regime nepotista e oligárquico de José Eduardo dos Santos.

Luaty Beirão, enquanto dissidente é o exemplo acabado do despotismo vigente e da ausência de liberdade de expressão, em Angola. Por ser uma voz de denúncia, logo incómoda, segundo o escriba de serviço, José Ribeiro, é um “radical a lançar a violência em Angola”.

Porém, é farto o abuso quando, para além das arbitrariedades cometidas fronteiras adentro, ousam exigi-las em conformidade a outros Estados soberanos. Talvez por isso, acha o articulista que Portugal recebe “bem os inimigos da paz em Angola”, o que põe em causa as relações de fraternidade entre os dois países. Mas sem pejo, a falar para dentro e deixar recados intimidatórios para fora, acha ainda que Portugal “persegue os interesses angolanos”, referindo-se talvez à filha do presidente, Isabel dos Santos que gosta pouco de ser contrariada nos seus negócios de “expansão” para o exterior do país. E vai daí, fala em “punhaladas pelas costas” para querer dizer que o governo português devia ser cúmplice, cego, surdo e mudo de e a todas as acções tirânicas, mas para além do governo, todos os portugueses, mesmo aqueles que lutaram contra a tirania em Portugal, deveriam ser anuentes bajuladores da cleptocracia angolana.

Por isso, no seu dislate, pago para o escrever, chega a dizer que tudo isto acontece mesmo e apesar de “os cidadãos angolanos continuarem a meter rios de dinheiro na economia portuguesa”, redutor eufemismo, mor das vezes, de fuga e branqueamento de capitais.

O regime angolano há ser tão eterno como o do Iraque, da Líbia ou da Síria… Nunca Saddam ou Kadafi sonharam, nos seus piores pesadelos, o fim que os esperou. Por isso, há que garantir a sobrevivência e, asinho, transferir todos os milhares de milhões para a Europa e paraísos fiscais, sabe-se lá onde, acautelando o nefasto porvir.

O resto é a retórica da intimidação, ciente de que há, para além das guerrilhas políticas inerentes a um país ignorante da democracia, portugueses a investir e trabalhar em Angola e angolanos a investir e trabalhar em Portugal e, numa relação extremada, ninguém ganharia em correr com uns e outros. Por isso, o bluff do escrevente do regime, José Ribeiro não é, nem mais nem menos, do que uma fanfarronice desbocada, de fauces abertas às migalhas do regime que serve e sustenta com as suas cínicas ejaculatórias.

(foto DR)