Escola Básica Grão Vasco, para quando as obras?!

por Cristina Fonseca | 2015.07.02 - 23:37

A Escola Básica Grão Vasco, localizada aqui bem no centro da nossa cidade de Viseu, uma escola cuja construção remonta aos anos 60 do século XX, será talvez um dos casos mais paradigmáticos da falta de querer e de empenhamento dos poderes públicos instituídos, sejam eles municipais ou sejam eles nacionais.

Falamos de uma escola que há muito não reúne as mínimas condições para as funções de ensino aprendizagem que diariamente ali acontecem. E se há funções sociais que devem merecer da sociedade um olhar muito atento, uma atenção redobrada, a educação, não sendo a única, tem de ser uma das principais.

Ninguém, em Viseu, pode dizer que desconhece este problema, o da degradação física do edifício e do recreio. É um problema bem conhecido e visível a olho nu: nas instalações sanitárias, nas janelas, nas escadarias gastas (estas, sendo o único acesso aos três pisos condicionam e chegam a impedir a mobilidade de um número vasto de professores e alunos que todos os anos letivos, por incapacidade física decorrente de lesões permanentes ou temporárias, se viram obrigados a usar canadianas), no telhado, nas portas, no pavimento, enfim, um pouco em todo o lado, como não podia deixar de ser, num edifício que foi construído há meio século atrás.

É evidente que as consequências estão aí. Os acidentes têm acontecido, tantos deles com entorses e quedas graves para as vítimas, e a chuva não se faz anunciar para entrar nas salas de aula.

Este é, portanto, o quadro, o quadro negro de uma realidade que nos devia envergonhar ante a incapacidade de sermos uma verdadeira comunidade política interventiva e cuidadora do nosso parque escolar, mas sobretudo cuidadora dos espaços frequentados pelos nossos concidadãos mais jovens, pelos nossos filhos.

Repito, todos conhecemos o problema, este drama, com que estão confrontados os encarregados de educação, os alunos, mas também todos os profissionais que ali prestam dignamente funções.

E quando digo todos, é mesmo todos. Conhecem o problema o presidente da câmara, os vereadores, os deputados da assembleia municipal, os deputados da assembleia da república e os dirigentes partidários em geral.

Mas se digo todos, também quero dizer que nem todos com as mesmas responsabilidades na resolução do problema, como é facilmente percetível, embora mais do que acusar seja quem for o que quero aqui é alertar, é consciencializar para a urgência de uma intervenção na escola Grão Vasco.

É interpelar o Ministério da Educação, o primeiro responsável, mas é também e sobretudo interpelar a Câmara Municipal de Viseu para o seu papel crucial na resolução desta grave situação.

E cabe-nos a nós, cidadãs e cidadãos de Viseu, neste meu caso também investida nas funções de membro da Assembleia Municipal, eleita pelo PS, com a declaração de interesses de me ligarem laços profissionais àquela comunidade há vários anos, cabe-nos a nós, como dizia, interpelar os autarcas de Viseu, o presidente da Câmara Municipal de Viseu e a Assembleia Municipal para tudo isto.

É que a comunidade educativa da escola Grão Vasco está cansada de palavras, de reuniões meramente circunstanciais, de diligências vazias, de uma verdadeira vontade de fazer. E ninguém se pode esquecer que desde o início do ano letivo transato, em setembro de 2013, os representantes dos pais estiveram na assembleia municipal, a dizer de sua justiça, a deixar o seu “grito” de revolta.

E o que foi feito volvidos que estão quase dois anos? Que palavra tem o Presidente da Câmara para dar aos pais, à comunidade, aos viseenses, sobre o projeto e sobre o cronograma de execução das obras? Para quando este caso concreto assumido pela autarquia no que diz respeito à construção de instalações sanitárias no bar dos alunos?

Infelizmente nada de consequente e palpável foi feito.

Os alunos, os pais e os profissionais da Escola Grão Vasco mereciam mais, muito mais respeito por parte dos eleitos.

 

(Artigo baseado na intervenção que efetuei na reunião da Assembleia Municipal de Viseu de 29.06.2015)

Deputada do Partido Socialista (PS) na Assembleia Municipal de Viseu

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