“Ervas daninhas” de um 25 de Abril ainda por cumprir…

por Paula Branco | 2016.04.29 - 16:54

Porque somos humanos e não máquinas, e, ainda que movidos pelo sonho inato de ensinar em pântano movediço, há horas de catarse necessárias para que possamos manter firme o sonho e a sanidade!…

 

Camões dissera um dia “No mais Musa, no mais, que a Lira tenho/ Destemperada, e a voz enrouquecida,/ E não do canto, mas de ver que venho/ Cantar a gente surda, e endurecida:”, pela cobiça e pela vã glória de mandar. Hoje diríamos: No mais Musa, no mais que a Voz temos destemperada e muda, e não do canto, mas de ver que “entoamos” a gente surda e embrutecida! Pela cobiça? Não! Tão pouco pela vã glória de mandar (antes fora…), mas pela pura ignorância, aquela que é genuína e que dita uma arrogância infestada pelo grande inimigo cívico da hodiernidade: POBREZA DE ESPÍRITO!

Ei-la! Devastadora inimiga do Sonho e que conduz parte da sociedade (menos mal que é só uma parte, ainda que em número não desejado…) a uma apatia sem luz que vive no côncavo de um silêncio ensurdecedor que fere pela ausência da VOZ, da VONTADE, do SABER, dos IDEAIS…

Outrora “cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.”. Falta, ainda “cumprir-se Portugal”, dirá Pessoa, movido pelo sonho desse Império, o Quinto. E nestas tentativas voláteis de nos cumprirmos, veio a ditadura, veio depois a revolução. Lutou-se contra a néscia de um povo analfabeto que deu lugar à néscia de um povo alfabetizado que não sabe ler. Pior, não quer sabê-lo! Aliás, é aí que reside a inóspita ironia da iliteracia, ou se quisermos antes, do analfabetismo civilizacional: a néscia de não sabê-lo, porque nem sequer sabe que não quer sabê-lo.

Queremos continuar a acreditar que pelo sonho podemos dizimar “ervas daninhas” de um 25 de Abril ainda por cumprir e que começa já a não existir nos vindouros (grande sacrilégio contra os que fizeram, fazem e farão justiça ao sinal de Deus, dado a um povo fadado para ser herói…), em prol dos quais se urdiu uma Canção de Esperança a entoar LIBERDADE!

In illo tempore, ó PORTUGAL, eras “nevoeiro”, porque os teus “génios” viviam subjugados à crença de que os Sonhos só seriam possíveis em sonos profundos da alegoria da vida. Cumpriu-se, então, a LIBERDADE e o “nevoeiro desfez-se! Porém, continua por cumprir-se o SONHO!…

Perdoai-lhes Senhor, porque não sabem que nada fazem!