Encontros com o património emocional da humanidade…

por Amélia Santos | 2015.06.12 - 13:43

 

«Mesmo que não tivesse existido um sortilégio divino, uma conjugação astral ou um qualquer poder misterioso…algo de muito semelhante aconteceu!»

Quando um país desconhecido ganha um rosto, uma voz e ternura no olhar, salta do mapa e adquire uma nova vida e importância que nunca antes tivera. Assim me aconteceu com o Perú. Assim aconteceu quando conheci a Chela e o Santiago, peruanos, de Lima.

Quis o destino que, numa paragem de autocarro, procurássemos o meio de chegar ao mesmo local e a um objetivo comum… A língua espanhola aproximou-nos, o sentido de humor do Santiago encurtou as distâncias geográficas e o sorriso da Chela temperou o encontro. Este início foi revelador de que uma empatia muito grande nascia entre nós. Entrámos no autocarro, conversámos muito e chegámos juntos ao local que buscávamos: paisagens deslumbrantes; o encontro com a beleza; fotografias e mais fotografias e também… um mar de gente que, buscando os mesmos motivos, acabou por nos fazer perder uns dos outros. E, daí a pouco já era agudo o sentimento de perda, porque nada restava para um novo contacto ou encontro…

Eis que o destino volta a interceder e, quando já não o esperávamos, reencontrámo-nos com grande surpresa e admiração mútuas. Nem queríamos acreditar que o acaso nos presenteava, mais uma vez, e no mesmo dia, com esta imprevisível bendição. O Santiago antecipou-se a dizer que este era um qualquer misterioso sinal celeste e não nos separámos antes de trocar contactos e combinar mais um rendez-vous no dia seguinte.

Quando temos a sorte de sentir empatia por alguém num primeiro contacto, devemos ter a audácia de não perder o rasto dessas pessoas, de as conseguir localizar no espaço, de com elas comunicar, se esse vier a ser um imperativo emocional. E assim aconteceu connosco. Mais conversas no dia seguinte e um encontro marcado. Mais beleza partilhada, descobertos mais pontos em comum e o dia acabou com umas caipirinhas e muito riso e boa disposição.

A Chela e o Santi são um casal muito especial, que faziam umas férias muito especiais para eles: uma lua-de-mel ao fim de trinta anos de casamento. Uma lua-de-mel depois de um casamento pelo religioso, numa espécie de renovação de votos de amor e companheirismo. Da sua experiência de tantos anos juntos, de tantas vicissitudes ultrapassadas, de tantas viagens e países visitados, fica-nos a serenidade de quem está de bem com a vida. Fica a alegria que eles transmitem quando contam as suas histórias, quando assumem as suas imensas diferenças e tudo aquilo que os poderia separar. Fica o júbilo de perceber que tudo nos pode acontecer na vida e que a tudo somos capazes de sobreviver, respeitando as opções dos outros, as suas preferências e os seus gostos.

Com eles aprendi mais uma lição sobre a vida, a felicidade, o respeito, liberdade e a educação dos filhos. A autenticidade deles saltava à vista e ao ouvido. Sentia-se na pele, no olhar, nos sorrisos. Não havia ali nada de plástico, nem de construção artificial.

A harmonia impunha-se e transmitia-se quando estávamos na sua presença!

A este casal maravilhoso falei de Portugal e da beleza do nosso país, ainda não explorado por eles nas suas inumeráveis viagens. Falei da nossa artista Joana Vasconcelos, porque lhe ofereci um caderninho dela que trazia na mala. Falei de Lisboa, do Porto. E de Trancoso! E do Douro e das maravilhosas paisagens, da gastronomia e dos vinhos… Tenho hoje a certeza de que virão um destes dias… Tenho a certeza de que os consegui deixar com vontade de vir, mais depressa do que estaria nos seus planos…

Aos dois quero oferecer uma imagem do nosso encontro, feita de palavras. Palavras que eu troco pelas imagens fotográficas que eles nos enviaram. Aos dois quero agradecer os mails e a sua bondade!

À Chela e ao Santiago desejo a amplificação da sua felicidade. E que a continuem a transmitir e a partilhar com as pessoas que se cruzam no seu caminho. Alegremente. Encantadoramente. Em contágio crescente… Com a calma que os sábios corações acrescentam a cada um…

(Espero que continuem a visitar o site www.ruadireita.pt e que não seja necessário verter este texto para espanhol J)

 

Licenciatura em Estudos Portugueses pela FLUL (1996) Pós Graduação em Museologia pela FLUP (2008) Mestrado em Ensino do Espanhol pela UBI (2011)

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