Elites precisam-se

por Norberto Pires | 2015.10.17 - 08:01

Impressiona-me muito algo que é extraordinariamente evidente em Portugal: a CLAMOROSA falha das elites. Basta ver como, à direita e à esquerda, se dedicam a destruir todas as possibilidades de diálogo franco e confiável, fatores que são essenciais para a democracia representativa. Nesse processo, as denominadas elites (que dominam os órgãos de comunicação social) são incapazes de antecipar que, com esse comportamento, estão também a fechar todas portas do diálogo, a abater todas as pontes de entendimento, a isolar-se num quarto sem janelas, onde a luz não tem forma de entrar e onde tudo é desesperadamente fatal e de caminho único.

As nossas elites são incapazes de perceber que em democracia é essencial a confiança e respeito mútuo entre adversários políticos, e que sem isso os políticos ficam extraordinariamente limitados na ação e na capacidade de ponderação de caminhos mais consensuais. Ou seja, ficam limitados no exercício da democracia.

As nossas elites não são verdadeiras elites. Não abrem horizontes, mas antes adensam-nos. Não mostram caminhos alternativos, mas antes estreitam-nos. Não clarificam, mas antes radicalizam. Não são verdadeiras elites, mas antes líderes de bandos e de claques.

É esse o problema central dos partidos políticos em Portugal.

Professor Associado da Universidade de Coimbra foi Presidente do Conselho de Administração do Coimbra Inovação Parque e Membro do Conselho Nacional para a Ciência e Tecnologia. Possui Mestrado em Física Tecnológica e Doutoramento em Robótica e Automação pela Universidade de Coimbra. É o Editor do jornal "Robótica". Autor de cinco livros na área da robótica e automação tendo publicado mais de 150 artigos científicos e tecnológicos.

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