Eleições muito pouco europeias

por José Eduardo Feio | 2014.04.16 - 15:08

Chamar “europeias” a estas eleições é um insulto à democracia. É insulto a todos aqueles que todos os dias trabalham para manter os ideais europeus vivos, tanto na Europa como por este mundo fora.

Dizer que elas são “europeias” implicaria que se tratasse de problemas europeus. Implicaria que a discussão fosse diferente das discussões “banais” que se têm a nível nacional. Paulo Rangel, o cabeça de uma das listas candidatas a estas eleições, disse algo que achei muito interessante mas ao mesmo tempo muito triste de ouvir: “as pessoas sempre se interessaram mais pelos assuntos nacionais, sempre foi assim e sempre será”. Esta frase mostra sem dúvida que a ideia geral dos candidatos é de que, como para ganharem têm de falar sobre os assuntos pelos quais as pessoas se interessam e como estes assuntos não são os europeus, não é nestes que eles se vão centrar. Esquece-se claro que as pessoas não se podem interessar por algo se não souberem do que se trata e se ninguém dele falar.

Dizem que os assuntos nacionais estão inteiramente ligados aos assuntos europeus, o que é uma verdade inegável. Mas lembro, todos os assuntos nacionais são europeus mas nem todos os assuntos europeus são nacionais. Falar só de assuntos nacionais é esquecer todos os assuntos mais gerais, que nos parecem mais distantes mas que, no fim de contas, são os que mais importam. Falo de questões como o federalismo, o alargamento da UE a outros países, a moeda única, a relação da UE com o resto do mundo, em suma, falo do delinear do um projecto europeu para as próximas décadas. Ou ando muito distraído ou estes assuntos têm passado um pouco ao lado dos discursos políticos, mas pronto, devo ser eu que não tenho prestado atenção.

Mais triste fico quando vejo o sr. Tó Zé Seguro a dizer que “está na hora de se castigar o governo”. Não. Está na hora de se lutar por uma política diferente na Europa. Não está na altura de se castigar o governo porque não é o governo que está em causa nesta eleições, mas uma determinada visão para a Europa e para a influência desta nas nossas vidas. Compreendo o que queria dizer, discordo completamente da forma como o disse, que não faz mais nada a não ser desviar as atenções para o governo quando estas deviam estar em outros assuntos.

Concordo plenamente quando dizem que estas deveriam ser as eleições europeias mais importantes dos últimos tempos. Na UE a eleição seguinte será sempre a mais importante, simplesmente porque ao longo do tempo esta (a UE) vai tendo cada vez mais poderes sobre os cidadãos europeus, logo os seus resultados vão ter cada vez mais influências praticas na vida de cada um de nós, tornando-se, mais “importantes” por assim dizer.

Realisticamente falando, o assunto em questão é muito importante, mas as eleições não vão passar de uma farsa demagógica e falaciosa para se tentar manter o status quo dos resultados, falando sempre dos mesmo assuntos de que já todos estamos fartos, afastando assim os cidadãos da que poderia, mas decerto não será, uma das mais importantes eleições dos últimos tempos.

É pena, como diz o outro, talvez para a próxima.