Eleição Rima com Ressurreição

por José Carreira | 2014.08.25 - 20:10

 

As histórias, algo estranhas, de pagamentos de quotas a militantes de partidos repetem-se. Ainda me lembro de ver nos noticiários nacionais testemunhos do valor a pagar por cada “novo militante”, as “malas” com as notas, enfim, um verdadeiro rodízio de inscrições, pagamentos, novos militantes…

São também estas práticas, pouco ou nada transparentes, que contribuem para a má imagem dos partidos e dos políticos.  O PS vive num clima de guerra interna, desde que o autarca de Lisboa, António Costa, decidiu partir para outros desafios, ao considerar que o partido não poderia continuar sob a liderança sofrível de um líder sem carisma e incapaz de ser uma alternativa credível ao esgotado governo PSD/CDS.

Lamentavelmente, temos assistido a ataques e contra-ataques, cada um vitupera o outro como pode, “vale tudo, menos arrancar olhos” porque, está claro, “em tempo de guerra, não se limpam as armas…”.

Há notícias de “militantes mortos, emigrados e acamados com as quotas pagas”…

Há quem fale em “sistemas de jagunços” e “homenagem aos mortos”…

A “baixa política” está ao rubro. Tenho pena que, uma vez mais, a “politiquice” leve a melhor sobre a “POLÍTICA”.

Todos nós devemos estar preocupados com estes tristes episódios, com os quais temos sido presenteados.

Não nos esqueçamos que um dos Antónios terá fortes possibilidades de derrotar a aliança PP (Passos / Portas) e tornar-se o primeiro ministro de um país, o nosso, que não estará em condições de aguentar mais experimentalismos e políticas de pacotilha.

Tinha, confesso, alguma esperança que António Costa trouxesse um discurso para o futuro do país e não se desse ao trabalho de entrar em quezílias irrelevantes.

Talvez o peso da máquina e os jogos de bastidores de Seguro estejam a perturbar e a assustar o candidato que afirmou não andar a “comprar votos nem a ressuscitar mortos”. Na entrevista concedida ao Expresso escolheu o seu adversário: “Verdadeiramente o meu adversário neste processo é Rui Rio.” Curiosamente, nunca se refere ao seu verdadeiro adversário. Estará a antecipar a sua vitória e a tentar condicionar futuras opções do PSD? Não me parece uma estratégia inteligente, mas vamos dar tempo ao tempo…

Deixo-vos com mais uma pérola registada na entrevista: “Não estive estes três anos na sexta fila da bancada parlamentar a aguardar pela minha hora, a fazer planos para a minha vida, a comprar votos ou a ressuscitar mortos para poderem votar, como outros fizeram.”

Têm-se em boa conta uns aos outros, os (alguns) deputados da nação. Os da sexta fila estão com as “orelhas a arder” e o que farão os da quinta fila? Nem quero imaginar como passarão o tempo, durante os plenários, os ocupantes das cadeiras da terceira fila e os utilizadores dos computadores da segunda. Os da primeira fila, esses, desgraçados, terão que estar atentos porque a exposição mediática é maior, independentemente da relevância das suas intervenções.