E ao domingo sempre temos a missa…

por Eme João | 2014.07.30 - 11:40

Quando me dizem que as pessoas ou movimentos anti-tourada, são muito radicais e pouco tolerantes, tiram-me definitivamente do sério. Porque quando se trata de maltratar seres vivos, acho que não há tolerância possível.

É verdade que as pessoas têm todo o direito a serem “bestas” em nome de uma tradição bárbara. Têm todo o direito às suas patologias. Todos têm o direito a torturar a fazer sofrer um ser vivo. Aliás, ver um animal a espetar farpas no lombo de outro animal é muito bonito sem dúvida. Pelo menos para mentes perturbadas deve ser mesmo algo maravilhoso…

Se sou radical e a minha tolerância é zero para esta situação, sim sou, e muito lamento não ser ainda mais.

Mas dizem-me que as pessoas são livres de gostar do que quer que seja. É verdade. Lutamos muito pela liberdade. Mas que liberdade é esta de fazer do sofrimento de um ser vivo uma festa?

Que ser tão evoluído como nós sente um prazer mórbido em ver um pobre animal escorrer sangue? Isto é uma arte? Uma festa? Uma tradição?

Não. Isto é o espelho da nossa humanidade perturbada, doente e decadente.

Nós que nos gabamos da nossa evolução, de sermos racionais, de sermos a espécie mais evoluída, deveríamos sê-lo verdadeiramente. Mas realmente, uma espécie como a nossa, que se dedica a dizimar povos, a construir armas cada vez mais poderosas para destruir, uma espécie que em nome de uma suposta evolução, acabará por se autodestruir alegremente, não é de esperar que se vá preocupar com um simples touro que agoniza na arena, para que alguns loucos assistam na bancada.

Enfim, somos todos muito bons. Felizmente, a nossa evolução deu-nos o “facebook” onde podemos parecer ainda muito melhores de segunda a sábado… porque ao domingo temos a missa.

 

Nasceu em Lisboa em 31/10/1966. Estudou psicologia no Ispa. Trabalha actualmente no ISS.

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