Dizem os vereadores do PS Viseu que a “coisa” está negra…

por PN | 2019.12.26 - 12:07

No decurso da reunião camarária de 23 de Dezembro, ficámos a saber que:

A “Vuelta” (Volta a Espanha em bicicleta) passa por Viseu (?), mas não há custos, pois o Turismo Centro de Portugal (não, já não é o do Norte) suporta-os. É bom ter amigos assim. O Pedro Machado e o Jorge Loureiro são dois bons parceiros que é preciso estimar.

A Vissaium XXI, a tal Associação para o Desenvolvimento de Viseu (a lembrar-nos a calamitosa Lusitânia – Agência de Desenvolvimento Regional, em cujo portal ainda se pode ler:

Somos de e para uma Região, é nela que se insere o nosso plano de actuação e para ela que desenvolvemos o melhor dos nossos esforços. Construída num pressuposto pluridisciplinar, formamos uma equipa que ambiciona transformar potencialidades em concretizações, ideias em actos, e tornar definitivamente real o crescimento da nossa Região.”)

… Com uma comparticipação comunitária de 4,8 milhões de euros, pelo menos em candidatura sem resultado à vista, esta associação é que vai ser a tal que gerará imensos empregos para todos e riqueza a “rodos”. Aliás basta ver quem são as “personalidades” que integram os seus corpos sociais e que detêm no CV um largo historial de geração de pródigos proventos, as quais, no passado, de alguma forma, tiveram caminhos que se entrecruzaram com Almeida Henriques, criando assim, decerto, a tal relação de profunda confiança, imprescindível para que a “coisa” funcione.

No domínio da reciclagem e da recolha de resíduos parece que também a “pompa e circunstância” dos anúncios feitos espera melhores dias para se tornar a realidade esperada. O tal “marketing municipal “excessivo e inconsequente”, segundo os vereadores da oposição. Até com “ilegalidades”, como a deposição de resíduos no Monte de Santa Eufémia, em Cepões. O Ministério do Ambiente andará cego?

Problemas de drenagem de águas pluviais a acontecerem por mais locais do que os devidos, com inundações de caves quando a precipitação é muita. Viseu, a Smart City com problemas graves de manutenção de infraesturas básicas? Não acreditamos…

Por outro lado, parece que o dinheiro não abunda nos cofres camarários, pois as despesas correntes municipais – bens e serviços – têm vindo a aumentar vertiginosamente. O que leva a oposição a dizer que “este não é um executivo municipal de obras estruturantes, sendo mais de aquisição de bens e serviços”. Porquê? Para que são tantos bens e serviços, que já cresceram 25% face a 2018? Ora se a receita não cresce a coisa vai mesmo ficar “negra”. “Alarmante”, clama a oposição sem que da parte do executivo se perceba qualquer inquietação com as “contas a negativo”. Até parece que já pediram aos SMAS reembolso de 1 milhão para fazer face “às despesas de capital e despesas correntes”. Migalhas…

Outro assunto na “berra” é a cobertura do Mercado 2 de Maio que, a cada dia que passa, vê aumentar o orçamento que já vai, no seu preço base (sem IVA) em mais de 4 milhões de euros. Uma ninharia. Este preço base começou em 2 milhões e “este inflacionamento galopante (…)  é uma técnica comunicacional frequente no actual executivo PSD”, diz a oposição. Será?

Também as despesas de Natal, as de iluminação, “colocam Viseu no grupo das capitais de distrito mais gastadoras”… E aparece aqui a AHRESP, o que também não deixa de ser curioso. Muito curioso. Quase tão curioso como a Viseu Marca (uma PPP com a Airv) entrar em certas despesas do município…

Entretanto há prédios camarários na iminência de derrocada, nos quais se colocam umas fitinhas da polícia municipal, mormente na Rua do Gonçalinho (nos. 28, 30 e 36), o que dará toda a segurança a moradores e transeuntes… Há fitas assim.

Também o facto de a polícia municipal estar há quase meio anos sem comandante (lembram-se da zanga do Sobrado com o anterior, que acabou exonerado depois de louvado?) não preocupa Almeida Henriques. Aliás quase nada parece preocupar este impávido autarca, como não o preocupa a reabertura do estacionamento do Campo de Viriato, pois os munícipes, com ele, estão sempre primeiro. Não vislumbramos é onde. Talvez nos impostos…

Paulo Neto