Viseu e a Real Ficção IV – Dignificar o Pavia, enriquecer Viseu

por Fernando Figueiredo | 2019.07.16 - 17:20

A cidade este verão de 2026 está repleta de gente, os viseenses e os imensos turistas e visitantes espalham-se entre o centro histórico e ao longo da zona baixa da cidade.

A aposta em espelhos de água e em zonas verdes transformaram a cidade. O Pavia preso nas margens e na poluição de décadas foi canalizado na zona central até à nova ETAR de Vildemoinhos e aí, limpo e tratado voltava bombeado para montante mantendo assim o nível dos espelhos de água criados.

O maior desses lagos artificiais encontra-se na praça da antiga feira semanal que foi relocalizada para o interior da Cava de Viriato, após compra por parte da autarquia aos pequenos proprietários ali residentes, onde hoje dispunha de pontos de venda, casas de banho públicas, um bar restaurante, cobertura superior amovível e ligação ao parque de Santiago. No agora lago, encontramos bares esplanadas na sua maioria deslocalizados do centro histórico para esta zona, restaurantes, áreas comerciais, artesanato local, oficinas ligadas à arte e lazer e clubes de desporto náutico.

Ali e no lago maior ao lado os pequenos barcos e catamarãs eléctricos e solares são às dezenas para gáudio dos turistas e visitantes, além de espaços para a prática de nautimodelismo e de eventos vários ligados à água. Ao longo de todo o percurso citadino da cidade onde foi possível tecnicamente conciliar a vida do rio com as margens da cidade hoje há uma zona alagada de água limpa, cristalina onde além do olhar banhistas, turistas e habitantes se deliciam com o prazer da água.

A cidade virou-se para o rio, vive do rio e a quantidade de empregos directos e indirectos criados trouxe mais gente e mais vida a esta zona apagada da urbe. O centro histórico ficou mais visitável e o vaivém da calçada de Viriato não tem um minuto de descanso. O número de eventos que os privados promovem cobre na sua quase totalidade a maioria da procura dos residentes e turistas pelo que a autarquia hoje é mais um garante da manutenção do que existe de bom que o promotor principal dos “sindicatos de voto” que durante anos garantiram o status quo de alguns.

Ao lado do rio agora navegável, o verdadeiro “basófias” engalanado, há zonas verdes ajardinadas e dotadas de equipamentos como casas de banho, esplanadas, percursos pedestres, parques infantis, zonas de “caça ao tesouro” e percursos de cordas que cativam diariamente os mais jovens e fisicamente destemidos.

As obras foram morosas, houve necessidade de alterar algumas das obras de arte, o túnel foi aumentado fazendo agora escoar o trânsito para fora da rotunda cibernética, quer para a Avenida da Europa quer para a Avenida Capitão Homem Ribeiro, mas a zona da Feira ganhou novo figurino e trouxe outra visibilidade ao Viriato, escondido todos estes anos por vergonha de quem governou até 2021 a cidade.

Fernando Figueiredo

Forjado na Beira Alta, aos 56 anos dá-se por bem casado e aprecia a companhia de três filhos, dois ainda na fase de espalhar magia a toda a hora; em família dá-se como feliz, apenas por o fazerem feliz. Como os duros estudou na Academia Militar, que não é para meninos e na época em que ainda se viajava de pé no comboio mas teve ainda tempo para queimar as pestanas em Gestão de Recursos Humanos. 36 anos “militarizado” vê-se agora na reforma a procurar ser “civilizado”. Em termos profissionais esteve no Iraque e voltou para contar, também esteve em Timor onde bebeu água de coco e visitou Jaco, erro fatal que lhe deixou o coração preso nas valorosas gentes timorenses e nas paisagens únicas do País que ajudou a ver nascer independente já no Séc XXI. Nos tempos livre actualiza o blog mais lido e odiado do delta do Dão, o Viseu Sra da Beira, e ainda escreve textos para jornais mas, poucos o lêem. Homem sem grande preocupação em fazer amigos, escreve o que entende sobre quem não consegue entender. Tais liberdades já lhe valeram um par de processos em tribunal, sem nunca se ter declarado Charlie. A genética deixou-o sem um único cabelo mas está careca de saber que os valores do trabalho, da honestidade e da amizade são o maior legado que o pai lhe deixou. Benfiquista moderado, gosta mesmo é de um bom jantar na companhia dos melhores amigos. Agora como empresário e homem de negócios só aceita de lucro o necessário para viver e distribuir por outros e de comissão a 100% a ética, a responsabilidade e o profissionalismo. É garantidamente mais bonito ao vivo que em foto.

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