Dia Internacional da pessoa com deficiência

por Carlos Cunha | 2015.12.07 - 09:07

 

 

Uma obra que parece insignificante pode fazer toda a diferença.

No passado dia 3 de dezembro, assinalou-se o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência. Como em tudo, há quem seja contra e há quem seja a favor da comemoração deste tipo de efemérides sobretudo em matéria tão sensível como é esta da deficiência.

Quando se tem o desejo de ser pai ou mãe ninguém idealiza um filho com deficiência. Quando alguma conhecida ou amiga minha está de esperanças, ocorre-me célere à memória a lapidar, mas sempre assertiva frase: o importante é que venha com saúde e perfeitinho. Mas nem sempre esse desígnio se cumpre.

De facto, só quem tem um filho, neto ou sobrinho com deficiência é que sabe o valor e o profundo significado dessa frase.

Muitos pais e mães de crianças, jovens e adultos com deficiência são autênticos heróis e heroínas e só com grande persistência, resiliência e uma infindável capacidade de amar é que vão conseguindo superar os enormes obstáculos que a deficiência dos filhos lhes coloca, desde o nascimento até à idade adulta, na busca incessante de um caminho.

Colocar os cidadãos com deficiência e os seus cuidadores na primeira linha das preocupações sociais, remete-nos para um país solidário, civilizado e socialmente evoluído constituído por uma sociedade inclusiva. É chegado o tempo dos governos centrais, independentemente da cor política, reverem os abonos por deficiência e de recompensar financeiramente os cuidadores a tempo inteiro.

Em Viseu, existem instituições, que estão ao serviço da deficiência, que prestam um serviço inestimável e indispensável, o mesmo acontece na escola pública, onde, quer queiramos, quer não existem as melhores respostas educativas para crianças e jovens com deficiência em idade escolar, ainda que haja um percurso a melhorar por força do alargamento da escolaridade obrigatória até aos 18 anos. Mas finda a escolaridade obrigatória e para além do trabalho valoroso de todas as instituições, será que estes jovens encontrarão, futuramente, na sociedade os apoios e as respostas de que necessitam?

Viseu celebrou o dia da pessoa com deficiência com três gestos que podem fazer toda a diferença na vida de algumas crianças e jovens com deficiência como é o caso da plataforma elevatória oferecida pela autarquia à Associação Hípica e Psicomotora sediada na Quinta de Ferronhe, na freguesia de Vil de Souto e S. Cipriano, que tem efetuado um notável trabalho com crianças e jovens deficientes profundos. A reativação da figura do provedor da deficiência e a cedência de uma “casa inteligente” no antigo Bairro da Cadeia aos utentes da APPDA, uma Associação, made in Viseu, que se encontra no top nacional e europeu da intervenção em crianças e jovens com autismo são “pequenas obras” que cumprem a diferença.

 

 

Carlos Cunha é militante do CDS-PP de Viseu e deputado na Assembleia Municipal. Licenciado em Português/Francês pela Escola Superior de Educação de Viseu concluiu, em 2002, a sua Pós Graduação em Educação Especial no pólo de Viseu da Universidade Católica Portuguesa.

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