Desporto e desenvolvimento – parte 1

por Vitor Santos | 2016.09.29 - 07:10

 

A importância da atividade desportiva – enquanto potencial económico tem sido relevada por muitos agentes políticos. Os motivos porque isto acontece não são bem explícitos mas o facto de não serem eles os centros de atenção e ser um processo longo de construção não os motiva a investir nesta área. A realização de eventos associados ao desporto tem um impacto imediato e são por isso mais apetecíveis.

O desporto em Portugal está numa fase de transição há imensos anos!!

A vivência desportiva continua a ser feita nos mesmos moldes que no século passado com o culto a dois clubes de Lisboa e um do Porto. A diferença está que hoje é através da TV e antes era da rádio. Provincianismo é isto: pagar para os outros usufruírem! A litoralização em Portugal é por demais evidente e uma atividade como o desporto que podia contribuir para o aumento da autoestima, do ego dos cidadãos não acontece porque o seu fervor desportivo é feito diante de um aparelho de TV e que não produz nada – à exceção de um ou outro estabelecimento que disponibiliza os canais desportivos.

Leicester em Inglaterra é um exemplo do que uma instituição desportiva fez pela cidade. Numa época promoveu mais a cidade que o poder político em décadas. O turismo aumentou e os habitantes reconhecem que vão para o emprego mais confiantes e orgulhosos. Todos ganham quando o trabalho é feito por pessoas mais felizes. O CD Tondela, salvo a comparação, é um caso em que os Tondelenses andam mais felizes e ganharam um «bairrismo» pela sua cidade que não tinham. O orgulho de ser Tondela tem impacto no dia-a-dia das pessoas, da região. O Lusitano FC é outro bom exemplo – orgulho trambelo.

Os clubes de “âmbito nacional” devem ser um segundo clube e não primeiro. A proximidade deve ser um fator decisivo pois permite a participação assídua nos espetáculos de competição desportiva, a prática do desporto pelas nossas crianças e jovens além das vantagens económicas-sociais para a região. O desporto de competição é para participar e não para assistir. Nas bancadas também se participa.

Portugal ainda está muito atrasado na forma como encara o desporto. Nos países desenvolvidos da Europa os clubes locais têm a primazia sobre os grandes clubes do país. O adepto gosta de participar e veste a camisola da sua região. Reconhece o quanto é importante a nível pessoal e social, não só o clube para a região mas, a sua participação no espetáculo desportivo.

O Bayern de Munique é um grande clube mundial e não precisa de núcleos, ou casas, em outras cidades alemãs. Nem lhe era reconhecido esse direito. Em Inglaterra acontece o mesmo com os principais clubes ingleses. E são os dois campeonatos mais ricos do mundo. Talvez por isto mesmo.

E eles é que são provincianos?!

 

 

Vitor Santos nasceu em Viseu no ano de 1967. Concluiu o Curso de Comunicação Social no IPV. Conta com várias colaborações na Imprensa Regional. Foi diretor do Jornal O Derby.

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