Desafios na saúde (1)

por José Ferreira | 2015.12.03 - 10:20

 

Novas políticas na Saúde? Acredito que sim. Primeiramente porque temos novamente em funções um governo constituído por pessoas do partido criador do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Por outro lado, porque nós enfermeiros mostrámos nestes últimos anos ao poder político, e sobretudo à sociedade, o quanto somos necessários para que o SNS retorne à missão para que foi criado no ano de 1979, da universalidade da saúde para todos os portugueses.

Citando o atual Ministro da Saúde na revista Enfermagem e o Cidadão 2. “(…) o papel da enfermagem assume uma particular relevância na construção de novas respostas, no apoio à integração de cuidados, como também no desempenho mais ativo de responsabilidades ao nível da gestão de equipas e na direção de unidades de saúde.” Acredito que este desafio surge devido à Enfermagem ter provado ser realmente uma mais-valia nesta parceria com mais e melhores fundamentos e competências na nossa atividade profissional, mas também que sustentem as exigências perante os responsáveis por esta área governamental na mesa da discussão. Devemos manter esta linha de pensamento, de que o enfermeiro deixou de ser o mero executor de cuidados de Enfermagem. É também investigador, promotor e decisor ao mais alto nível das instituições políticas.

Temos de acabar com os vários degraus na discussão de ideias e decisão. Todos os intervenientes têm de estar no mesmo patamar, porque o tema Saúde é do interesse comum aos vários atores. Não é exigir o papel principal, antes requerer o papel que nos conferem os cidadãos e a lei.

A ideia redutora de que a sociedade durante anos alimentou tem que terminar. Para isso, cabe-nos continuar a mostrar que não somos um encargo económico para as instituições de saúde. Compete ao cidadão exigir aos governantes a necessidade do seu enfermeiro de família, de zelar por um maior número de enfermeiros nos serviços diferenciados. Tal seria possível ao aperfeiçoar a gestão dos recursos humanos especificamente com maior número de enfermeiros alocados aos serviços, o que levaria a um menor cansaço físico e emocional por parte destes profissionais de saúde, conduzindo a uma maior motivação e disponibilidade para premiar a tão exigida qualidade dos cuidados dedicados aos utentes.

Para termos bons cuidados de saúde temos de apostar nas instituições que os prestam, dotá-las de meios técnicos, mas sobretudo de meios profissionais. Sabendo todos nós que eles existem, pergunto: será que vamos continuar pela não contratualização desses excelentes profissionais e correr o risco de o Serviço Nacional de Saúde ser transformado em “SNS para os pobrezinhos”? Será? Recordo esta afirmação pública do atual ministro da Saúde, pouco tempo antes de ser nomeado.

Por último, cabe ao homem, Prof. Adalberto Campos Fernandes, atual ministro da Saúde, não esquecer que na Saúde não se pode só dar atenção à Pessoa doente, mas sim à Pessoa bio-psico-social.

 

 

1título de artigo de Adalberto Campos na revista Enfermagem e o Cidadão

2publicação periódica da Secção Regional do Centro, que insere um artigo de opinião do Prof. Adalberto Campos Fernandes

http://www.ordemenfermeiros.pt/sites/centro/informacao/JornalCRC/JEC4