DEO gratias, eleições!

por João Fraga | 2014.05.05 - 13:49

Exactamente a dois anos de seis séculos sobre a data – 24 de Julho de 1414 – em que D. João I decidiu conquistar Ceuta, o primeiro-ministro decidiu não (re)conquistar o cargo de primeiro-ministro (PM), proclamando: “Que se lixem as eleições!”. Ambas as decisões não deram bom resultado…

“Liberto” desse “estorvo” psico-político das eleições, mais o PM incrementou o “ajustamento”, passando ao “sobreajustamento”.

E, então, vá de, forte e feio “para além da troika”, prosseguir no “bom caminho” de educar os portugueses a viverem abaixo das suas possibilidades (e até, cada vez mais, abaixo das necessidades), pois que, como se sabe (desde 25/10/2011), “só sairemos da crise empobrecendo”.

Mas, no fundo, PM e seu Governo nunca se libertaram desse “obscuro objecto de desejo”, de amor-ódio (ou vice-versa), que são as (re)eleições.

E depois as eleições são “resilientes”. Mesmo “lixadas”, aproximam-se e, pertinho, projectam o seu poder hipnótico. Em especial – vingança fria! –, naqueles que as mandaram “lixar”. A quem só resta – DEO meo!- mudança de táctica: do “sobreajustamento” para a subverdade.

E é assim que – o tal “poder” das eleições – o nome deixa de ser “a coisa nomeada”: que “o país está melhor” mas as pessoas não; que os portugueses “aguentam” um aumento de impostos que se “acreditava” que “o país não aguenta”; que, no dia em que “não interessa um modelo de baixos salários”, se aumenta a TSU aos trabalhadores mantendo-lhes a redução real dos salários; que, mudando-lhe o nome e reduzindo-a ligeiramente (tipo “toma lá o chouriço e dá cá o porco”), se torna ordinária uma contribuição “extraordinária”; que, enfim, a única “saída”, a limpa”, nem é (socialmente) limpa (mais desemprego, mais dívida, mais pobreza, mais desigualdades, menos direitos sociais, menos acesso a serviços públicos, mais as “sujidades” dos avultados juros de uma “almofada” e de um acordo secreto com o FMI), nem, de facto, é bem uma saída.

Eleições? DEO nos livre! Perdão, DEO gratias!

Inspector do trabalho (aposentado), 67 anos, licenciado em Gestão de Recursos Humanos, com pós-graduação em Psicologia do Trabalho pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto, residente em Santa Cruz da Trapa.

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