Demagogia, à maneira!

por Ana Albuquerque | 2015.07.04 - 16:55

 

Não sei se é porque ainda estou de ressaca das possibilidades e variáveis de interpretação do poema de Sophia que saiu no exame do 12.º ano, que se tornaram um quebra-cabeças para alunos e professores, se da leitura das redes sociais, cheias de variáveis interpretativas da política local, nacional e internacional mas, em boa verdade, só me apetece dizer com a poetisa, ou a poeta, como quiserem, já estou por tudo, nesta Babel linguística: “ (…) acuso o demagogo/ e o seu capitalismo de palavras”.

Ele é o presidente de uma autarquia que não devia receber um candidato a presidente da república no salão nobre dos paços do concelho x ou a falta de educação de um outro, do concelho z, que o não recebeu no salão nobre, deixando os membros da comitiva e os que queriam acompanhar o candidato nas escadas. Afinal para que servem as salas de visita?

Ele é os que apoiavam o tal candidato mas, agora, a braços com outras manifestações, já não sabem bem por qual caminho, ou melhor, candidatura, seguir, dadas as circunstâncias e os malabarismos estratégicos para aparecerem nas listas para isto e para aquilo. Ele é a confusão de competências na resolução de problemas do parque escolar degradado na cidade y e mais os jardins demasiado apagados para uns e cheios de luz, efémera, para outros. Ele é a Grécia e as manifestações contraditórias de apoio e de culpabilização, pelos mesmos, a um governo de inexperientes, mas bem-intencionados, diríamos nós. Ele é a estrada que está para ser alargada, requalificada, reajustada, por mais de um governo e continua na mesma. Ele é a deputada que vai para a Suíça e o vereador que vai para Lisboa, mas com um pé na autarquia, e uns quantos à espera da lotaria da sorte do lugar almejado.

Ele é o acordo ortográfico, esse verme que corrói a sanidade linguística de um povo, e as petições para que não entre em vigor, quando já está em vigor, efetivamente, para milhares de alunos do sistema educativo português. Vamos, agora, por decreto, vacinar ou distribuir pilulas recarregadas aos alunos para voltarem a pôr os c todos, surdos ou sonoros, é mais coisa menos coisa! Ele é as mulheres que têm de pagar mais uma taxa moderadora para verem cumprido um dos seus direitos referendados. Ele é um jogador de futebol que vai para o Panteão sem ter feito o tempo necessário para trasladação dos comuns mortais. Ele é…

Seguramente que sou eu que estou mesmo a precisar de férias!