Deixem os Jardins Efémeros brotar

por Carlos Cunha | 2015.05.28 - 11:21

 

 

1. Os Jardins Efémeros (JE) são um evento cultural recente, vão este ano para a sua V edição, no entanto, apesar da sua curta existência já deixaram na cidade a sua marca indelével.

Os JE são um dos acontecimentos culturais mais marcantes de Viseu devido à qualidade, diversidade e originalidade da sua programação. Muito se tem falado da reabilitação do Centro Histórico (CH), porém os JE, pelo seu pioneirismo, foram o primeiro grande evento de reabilitação do CH e fizeram-no através da cultura, contrariando a letargia cultural que por ali andava.

Os JE têm alma criadora, recicladora e transformadora, desencadeando um efeito surpresa seja pela qualidade de um espetáculo, seja pela abertura ao público de um espaço degradado, onde se desenrola uma exposição ou uma peça teatral. Até num simples passeio se sente nas ruas do CH uma atmosfera diferente.

Quando terminam e tudo regressa à normalidade deixam uma sensação de vazio da qual se recupera a custo, porque aquelas artérias da cidade perdem vivacidade, instalando-se a nostalgia por um evento que é efémero, mas profundamente marcante na sua essência.

Os JE atraem cada vez mais visitantes, e, facto raro, não são apenas dos concelhos vizinhos, que deixam dinheiro na cidade, o que é bom para o desenvolvimento da economia local.
O retorno que os JE trazem a Viseu em publicidade boa e divulgação ultrapassa o investimento inicial efetuado pela edilidade em larga escala. Para além disso, colocam Viseu numa espécie de vanguarda cultural, única em cidades do interior de média dimensão. É um evento que projeta Viseu no panorama nacional e internacional, até porque do cartaz têm constado artistas de diferentes nacionalidades, que certamente falarão de Viseu nas suas redes sociais, promovendo e dando a conhecer a cidade.

2. Recuando no tempo, recordam-se que Fernando Ruas teve, inicialmente, algumas reticências em relação ao evento organizado por Sandra Oliveira, mas o êxito alcançado nas primeiras edições fizeram-no rever a sua posição, pelo que não tardou um convite para liderar um projeto cultural na Quinta da Cruz, que infelizmente não se veio a concretizar.
Contrariamente ao seu antecessor, Almeida Henriques parece não querer reconhecer a criatividade, a capacidade e o talento invulgares de Sandra Oliveira. Todavia, os seus cortesãos, num momento de inusitada criatividade, resolveram antecipar os Jardins e homenagear a sua organizadora, colocando em prática um conjunto de iniciativas das quais Sandra Oliveira reclama a sua autoria.

Estas polémicas e comportamentos em nada favorecem os JE que necessitam de estabilidade para atingirem o seu principal objetivo que é o de criarem momentos culturais únicos de enorme reconhecimento e assim projetar o nome de Viseu o mais longe possível.

3. Compete ao executivo de Almeida Henriques rever a sua posição sobre esta matéria, pois, no que depender de mim, o CDS-PP Viseu acarinhará sempre esta iniciativa, reconhecendo-lhe o elevado valor acrescentado, por isso, deixem brotar a criatividade dos JE!

Carlos Cunha é militante do CDS-PP de Viseu e deputado na Assembleia Municipal. Licenciado em Português/Francês pela Escola Superior de Educação de Viseu concluiu, em 2002, a sua Pós Graduação em Educação Especial no pólo de Viseu da Universidade Católica Portuguesa.

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