“De Propósito”

por José Carreira | 2013.12.09 - 16:15

“De propósito”, visitei, na companhia de algumas amigas as Casinhas de Natal de Viseu, uma das atividades enquadradas na programação “Viseu Natal, Sonho Tradicional 2013”. Ouvi e li algumas críticas, quanto à deslocalização das “Casinhas” para a Rua Formosa e Rua da Paz que, desde logo, me pareceram prematuras e talvez infundadas. Na verdade, a ideia pareceu-me lógica porque poderia ajudar a animar o comércio tradicional, complementando-o com ofertas específicas e originais. As opiniões das colegas de passeio – de final tarde, início de noite – foram unânimes: a nova localização foi bem pensada. As ruas ganharam uma “alma nova”!
Espero que estejam reunidos os ingredientes necessários para aumentar a circulação de pessoas e potenciar as vendas do comércio local, contribuindo para diminuir a agonia em que a maioria das lojas se encontra. Entre uma ginjinha e um biscoito, percebi também que os dinamizadores das “Casinhas” estão satisfeitos e que aprovam a alteração realizada, deixando a sugestão de virar as suas “montras” na direção da Praça da República, evitando o vento gélido que não pede licença para se passear, entrando pela Santa Cristina. A crítica pela crítica não faz qualquer sentido. Se havia alguma dúvida, um passeio em boa companhia; uma conversa afável com os comerciantes; um chocolate e uma ginjinha desfazem-na rapidamente.
“De propósito” é o título da exposição patente no Solar do Vinho do Dão (Viseu) que dá a conhecer a obra artística da multifacetada Maria Keil até ao dia 06 de janeiro.
O Museu da Presidência da República, em parceria com Câmara Municipal de Viseu, dá a conhecer oito décadas, dedicado à ilustração, ao azulejo, design gráfico, pintura, desenho, mobiliário, tapeçaria, cenografia e figurinos. A presença da ironia é um traço comum na obra da artista plástica. Fiz a visita e gostei bastante. O bilhete é acessível: 2,50€. Não desperdice esta oportunidade.
Num tempo de constante questionamento individual e coletivo, em que não gostamos do presente e desconfiamos do futuro, registei um pensamento de Keil, plasmado na exposição: “Procurei-me no reflexo dos espelhos, tudo o que via era o contrário do que sou.”