Da Academia Dão Petiz ao naufrágio do PS na Madeira

por Carlos Cunha | 2015.04.09 - 20:43

A Academia Dão Petiz, integrada no Programa Viseu Rural, fruto da iniciativa criativa do Município Viseense, foi um projeto que não colheu grande simpatia aquando do seu aparecimento, tendo recebido diversas críticas entre o mordaz e o humorado das diversas forças políticas locais com a exceção das estruturas do PSD, as quais também não se alongaram nos argumentos que teceram em prol da mesma.

Lá coube ao Presidente Almeida Henriques fazer publicamente a defesa da sua dama, esclarecendo os viseenses que a Academia não era para incentivar o consumo do álcool, mas sim para os petizes perceberem a importância dos ciclos da terra, sendo a vinha um deles. O edil viseense procurou esclarecer as finalidades deste recém-criado serviço educativo, diluindo simultaneamente o estigma excessivamente vínico nada recomendável a crianças de tão tenra idade.

Uma das duas únicas virtudes que consigo vislumbrar neste projeto reside no facto de o mesmo aproximar os pequenos da vida no campo, fazendo-os entender que o vinho que veem lá por casa não nasce nas garrafas ou nas práticas bag-in-box, que são vendidas numa qualquer superfície comercial da urbe. A outra consistiu em proporcionar à petizada um dia diferente nestas férias de Páscoa, permitindo-lhes, por estes dias quentes e ensoleirados de Primavera, andar no meio das vinhas ao invés de estarem fechados em casa a ver TV, a jogar playstation ou computador.

Por outro lado, sabendo-se que em Portugal os jovens começam a consumir álcool cada vez mais precocemente e tendo a Academia do Dão Petiz a pretensão de ser um serviço educativo não vislumbrei no sítio da mesma qualquer referência a esta problemática, o que constitui uma falha comprometedora.

Em matéria de política nacional, não podíamos passar ao lado das eleições regionais na ilha da Madeira, para além da rocambolesca embrulhada que foi a contagem de votos, os factos políticos relevantes foram: a conquista à tangente da maioria absoluta por parte de Miguel Albuquerque, o primeiro timoneiro do PSD Madeira após trinta e sete anos de governação de Alberto João Jardim e o naufrágio da coligação Mudança, liderada pelo PS e da qual faziam parte o PTP, do tresloucado e pouco conveniente José Manuel Coelho, o PAN e o MPT, que apenas conseguiram alcançar 11,43% dos votos, correspondentes a seis mandatos, menos um que o CDS-PP, que foi a segunda força política mais votada e a quem caberá liderar a oposição.

As eleições madeirenses são diferentes das legislativas, mas o namoro à esquerda que António Costa tem feito ao recém-criado Livre de Rui Tavares terá os seus custos no futuro, pois em política não há almoços grátis.

Carlos Cunha é militante do CDS-PP de Viseu e deputado na Assembleia Municipal. Licenciado em Português/Francês pela Escola Superior de Educação de Viseu concluiu, em 2002, a sua Pós Graduação em Educação Especial no pólo de Viseu da Universidade Católica Portuguesa.

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