Convivência Intergeracional

por José Carreira | 2014.09.23 - 11:14

 

Gostei do projeto intergeracional apresentado pela Câmara Municipal de Viseu designado “Aconchego”. O programa, segundo o Presidente da Câmara, Dr. Almeida Henriques, passa por a pessoa mais velha disponibilizar o alojamento «por um preço quase simbólico, com a obrigatoriedade de o jovem poder também acompanhar o idoso». (Diário Digital, 19/02/2014).

Um projeto novo para Viseu, a meu ver, com valor. O novo ano académico – 2014/2015 – está a iniciar-se. Acredito que esta ideia pode vingar e dar um contributo muito importante no combate à solidão do idoso, bem como permitir que mais jovens possam desenvolver os seus estudos, em ambiente familiar, não tendo que gastar os euros que muitas famílias não têm à sua disposição.

Em Salamanca, uma experiência idêntica já tem nove anos e funciona bem. O programa Residência Partilhada permite que pessoas idosas e jovens universitários coabitem e é monitorizado pelos serviços sociais da Universidade de Salamanca, Junta de Castilla y León e o Ayuntamento de Salamanca.

No modelo implementado, a pessoa idosa oferece alojamento no seu domicílio a um estudante que apenas tem que pagar as suas despesas, estando isento de qualquer aluguer. O aluno compromete-se a ajudar a pessoa idosa nas tarefas da vida diária se esta necessitar e especialmente a fazer-lhe companhia.

Quando lemos testemunhos publicados na Tribuna Universitaria (21 de setembro de 2014), constatamos que é uma experiência muito recomendável. Deixo-vos dois testemunhos, de uma idosa e de um jovem:

“Vejo muito mais vantagens do que inconvenientes, sobretudo porque estás a ajudar uma pessoa e isso faz-te sentir muito bem.” (Yonery, 24 anos)

“Sempre me dei muito bem com todos os estudantes que estiveram em minha casa. Eu chamo-o ´Meu Programa‘ porque fui a primeira e desde então tive muita sorte com todas as pessoas que me procuram para viver. Os jovens que estão aqui não têm que me ajudar a ir à casa de banho nem a lavar-me. Esse trabalho é feito pelas assistentes sociais. Posso pedir-lhes ajuda, se precisar, por exemplo para subir uma preciana ou fechar uma porta.” (Manuela Hernández, 95 anos).