Consumo pelo Natal

por Rui Coutinho | 2013.12.19 - 13:51

Desde 2008 que não se registam níveis de optimismo tão elevados no desempenho da economia europeia como agora. Portugal segue na peugada. Será?
Segundo o estudo da Deloitte, que procura analisar o comportamento do consumo dos portugueses nesta época festiva, a realidade parece ser menos animadora. Os presumíveis gastos com o Natal e a Passagem de Ano continuarão a diminuir.
De 2011 a 2013, os valores despendidos baixaram dos 530€ para os 393€ por lar. A ser assim, as famílias mantêm-se num contínuo processo de reajustamento dos seus orçamentos. Dentro desta política, reservaram para prendas um montante de 195€. Em produtos alimentares para guarnecer as mesas, acomodaram 144€ e na componente da socialização (jantares) consagraram 55€. Por esta altura, os irlandeses que entraram na fase final do processo de ajuda concedido pela Troika, já bradaram bem alto que não pretendem mais nenhum resgate ou programa cautelar. Neste período, estão dispostos a gastar, apenas e só, 894€, o que representa um dos orçamentos mais elevados dos países europeus para este fim. Resumindo, estão eufóricos, querem comemorar e têm motivos.
O referido estudo aponta ainda para uma alteração no acto da compra. As compras racionais atingem agora a maioria dos portugueses (69%). Mais de metade (56%) dos inquiridos revelaram apetência por fazer pesquisas on-line antes do acto da compra, procurando comparar preços.
As promoções desenvolvidas nos diferentes espaços comerciais têm tido uma procura crescente. Em 2012, o seu valor foi de 46% e em 2013 estima-se que consiga ascender aos 57%. O uso e recurso por vezes recorrente ao crédito, e que em algumas situações desgraçou muitas famílias, será dispensados por muitos (50%).
As prendas assumem agora uma componente cultural e prática. Nas intenções, os livros parecem ser uma aposta sempre ganha (50%), mais ainda numa altura em que as promoções também chegaram em força ao sector. O vestuário e o calçado parecem ser lembrados por 44% dos portugueses, bem como os variados chocolates que invadem todos os espaços (33%).
No entanto, das intenções ao cobiçado existem algumas diferenças. A grande maioria ambiciona dinheiro (61%), os livros parecem encaixar bem nesta situação (51%) a par do vestuário e calçado (50%) e os smartphones são almejados por uma percentagem muito importante (38%).
Para muitos, esta época festiva sem dinheiro para despender no essencial ou no acessório é sempre mais difícil de concretizar.
Com muito ou pouco, aqui ficam as Boas Festas a todos.

Técnico Superior a exercer funções na Escola Superior Agraria de Viseu (ESAV) com ligações a projectos agrícolas e agro-alimentares é Bacharel em Engenharia Agro-Alimentar pela ESAV, Licenciado em Enologia pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) Mestre em Biotecnologia e Qualidade Alimentar pela UTAD e com o Curso de Doctorado em Bromatologia e Nutrição pela Universidade de Salamanca.

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